Quarta-feira, Julho 22, 2009

Despedida

Bastante ocupado com o trabalho e com estudos paralelos, nos últimos tempos fui muito irregular na escrita aqui no blog. Embora considerando muito interessante o processo de escrita em blogs tive de fazer opções que passaram por não publicar com a periodicidade mínima que requer este meio de comunicação.
Neste meio fiz amizades que permanecem: algumas que se prolongaram para além do mundo virtual; outras que embora não tenham passado deste mundo, não são por isso menos fortes.
Este é um post de despedida deste blog individual. Não era possível mantê-lo assim parado no tempo sem renovação, fazendo de conta que ele estava vivo. Fazê-lo desaparecer também não o faço pois para mim constitui uma memória de que não me quero desprender.
Entretanto vou navegando nos blogs dos meus amigos e nessa blogosfera que tem coisas tão interessantes e é uma mistura de emoções, conhecimentos, provocações, humor e inteligência. Espero fazê-lo mais ainda quando dispuser de mais tempo.
Um abraço para todos os blogueiros que por aqui passarem.

Domingo, Junho 21, 2009

Perguntas impertinentes

Sabemos todos o montante do valor da transferência do Cristiano Ronaldo. E é giro saber isso. Porque é que não é tão propagado o montante dos dinheiros que o Real Madrid ou a FIFA movimentam?
Há uns anitos o mal todo estava no défice e era preciso controlá-lo a todo o custo. Porque é que agora já ninguém fala no défice e ele deve estar bem acima do que diziam ser necessário estar?
Alguém que responda. É que eu gostava mesmo de sabe as respostas. A sério.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

O importante na Educação (Física)

O que é verdadeiramente importante na Educação Física, em primeiro lugar, é que o professor consiga transmitir aos seus alunos o gosto pela actividade e pela cultura (física e desportiva). Essa faceta energética e afectiva do ensino é um poderoso motor que põe em marcha todo um processo que se nutre e requer a autonomia do aluno. Daí que, para além dessa primeira intenção pedagógica – a de dar o gosto pela prática da actividade – o professor tem de guiar os alunos nas aprendizagens que qualificam essa prática: fazê-los aprender bem, os fundamentos primeiro, (e não é de somenos ou fácil definir o que são esses fundamentos), nutri-los de conhecimentos “sur mesure”, apetrechá-los de competências, a principal das quais é a de serem autónomos quanto possam ser e quanto antes.
Ao conseguir pôr em marcha este processo, ao colocar em actividade os alunos como pessoas capazes de autonomia e com gosto no que fazem, o professor dá o empurrão mais decisivo, o inicial. Daí em diante é importante dar continuidade, intensidade, entusiasmo, qualidade, intencionalidade e preencher de sabedoria o que se vai fazendo.
Pensar colectivamente sobre os caminhos a fazer trilhar nesse processo desde o seu início, eis a minha visão de excelência na docência como processo e projecto colectivo em que o trabalho individual se deve integrar criticamente. Reflectir amiúde (e colectivamente) sobre o processo, sobre as ideias e as práticas que se levam a cabo, eis a minha visão de avaliação profissional.
Reivindicar condições para concretizar essa forma de desenvolvimento profissional é necessário, neste tempo em que, por exemplo, o Tempo para reflectir em conjunto é uma substância que interessa a alguns cilindrar, substituído por um tempo sem sentido.

Quarta-feira, Junho 10, 2009

Problemas de consciência

Num período como este que se aproxima, de avaliação e classificação dos alunos, os professores deparam-se com problemas de variado tipo, em que os de consciência não são dos menores.
Confesso que do ponto de vista da avaliação dos alunos na disciplina que lecciono, nunca tive grandes problemas. Desde o início do ano que as regras estão bem claras entre mim e os alunos, os critérios são de todos conhecidos e bem aceites. Por isso, depois de aula após aula se ir procedendo a avaliações formativas, a avaliação final sumativa decorre com toda a naturalidade. A auto-avaliação dos alunos é geralmente coincidente com a minha hetero-avaliação e, nos casos de discordância, isso acontece pelo facto de os alunos que divergem serem mais exigentes consigo próprios do que eu sou com eles. Aluno que pede nota maior do que aquela que eu acho que merece é extremamente raro e, geralmente, é alguém que está desfasado do processo. E lá vai aparecendo algum aluno assim.
O que traz grandes problemas de consciência, a mim e a muitos outros professores, é ao nível das decisões globais sobre o aluno: transitar de ano/ser aprovado ou ser retido/reprovado. Como não me parecem ser possíveis, a este nível, critérios tão definidos como aqueles que um professor pode ter com os seus alunos em particular, há situações muito delicadas.
Ao longo da minha carreira e em função dos conhecimentos que fui acumulando, fui mudando algumas das minhas perspectivas sobre esta questão. Aqui vou apenas apresentar um problema que é para mim um dilema.
Sabemos hoje todos da sociologia escolar que, estatisticamente, o insucesso escolar afecta sobretudo os filhos das classes populares desprivilegiadas. É evidente que isto é em termos de grandes números e que não é uma verdade individual. Mas do ponto de vista das suas turmas, os professores verificam que os seus alunos com mais probabilidades de terem insucesso são aqueles cujos pais não sabem ou não podem ajudá-los. A questão do "querer" reservo-a francamente para situações residuais de pais com patologia ou extremamente mal formados. Por saberem disso, eu como muitos professores, sentem um mal-estar evidente ao saberem que estão a confirmar o insucesso escolar, com as suas decisões, de alunos que em grande parte são vitimas de um sistema social que não lhes proporciona condições de sucesso como têm outros.
Mais uma vez, este ano, os poucos casos de insucesso escolar que tenho na minha direcção de turma não fogem a este quadro. E isso é para mim um motivo de mal-estar e frustração. Por outro lado, felizmente, muitos outros casos havia, de pouco, mau ou nenhum acompanhamento familiar de alunos. E apesar disso eles não terão insucesso escolar (o educativo é outra história a desenvolver).
De outras coisas falarei noutro post a respeito deste tema. Mas aqui fica desde já a minha convicção de que de modo nenhum, a esmagadora maioria dos professores ou das escolas se sentam à lareira perante o fenómeno do insucesso escolar de larga fatia dos nossos alunos, como afirmou uma senhora sinistra. Nesta altura a grande maioria dos professores sente verdadeiros problemas de consciência. Essa é a verdade.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

"Penso. Logo Resisto."

"Um povo ignorante é um instrumento cego da sua destruição"
Simon Bolivar
Encontrei esta citação no site "consciência.net" onde estive a ler um texto de Frei Betto sobre o Pensar. Vá lá ler que vale a pena.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

A FORÇA DA NOSSA RAZÃO

A manif de sábado foi mais uma impressionante mensagem de resistência cívica de dezenas de milhares de professores. O lema não podia ter sido mais bem escolhido: A FORÇA DA NOSSA RAZÃO.
Por outro lado espero que tenha sido mesmo uma manifestação de adeus às políticas desastrosas que nos tem caído em cima. Todos os que lá estiveram e aqueles que lá teriam estado se tivessem podido não merecem que o desastre continue.

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Encontramo-nos no Sábado

Eis uma excelente iniciativa que também subscrevo e aqui coloco:

1) Este governo desfigurou a escola pública. O modelo de avaliação docente que tentou implementar é uma fraude que só prejudica alunos, pais e professores. Partir a carreira docente em duas, de uma forma arbitrária e injusta, só teve uma motivação economicista, e promove o individualismo em vez do trabalho em equipa. A imposição dos directores burocratiza o ensino e diminui a democracia. Em nome da pacificação das escolas e de um ensino de qualidade, é urgente revogar estas medidas.
2) Os professores e as professoras já mostraram que recusam estas políticas. 8 de Março, 8 de Novembro, 15 de Novembro, duas greves massivas, são momentos que não se esquecem e que despertaram o país. Os professores e as professoras deixaram bem claro que não se deixam intimidar e que não sacrificam a qualidade da escola pública.
3) Num momento de eleições, em que se debatem as escolhas para o país e para a Europa, em que todos devem assumir os seus compromissos, os professores têm uma palavra a dizer. O governo quis cantar vitória mas é a educação que está a perder. Os professores e as professoras não aceitam a arrogância e não desistem desta luta: sair à rua em força é arriscar um futuro diferente. Saír à rua, todos juntos outra vez, é o que teme o governo e é do que a escola pública precisa. Por isso, encontramo-nos no próximo sábado.
Subscrevem:
Os blogues: A Educação do Meu Umbigo (Paulo Guinote), ProfAvaliação (Ramiro Marques), Correntes (Paulo Prudêncio),(Re)Flexões (Francisco Santos), Educação SA (Reitor), O Estado da Educação (Mário Carneiro), Professores Lusos (Ricardo M.),Outròólhar (Miguel Pinto).
Os movimentos: APEDE (Associação de Professores em Defesa do Ensino), MUP (Movimento Mobilização e Unidade dos Professores), PROmova (Movimento de Valorização dos Professores), MEP (Movimento Escola Pública), CDEP (Comissão em Defesa da Escola Pública)

Quarta-feira, Maio 20, 2009

Deixa-me rir

Uma senhora que por acaso é ministra da Educação passou 4 anos a denegrir os professores. Anteontem, a respeito de uma banal prova de aferição em que os professores pouco mais têm de fazer do que papaguear um guião e vigiar alunos, ela elogia-os pela primeira vez e considera esse comportamento altamente profissional.
Constou-me que a senhora chegou a ser especialista em profissões. Realmente nota-se.

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Saramago

O sino do Camponês.

Domingo, Maio 03, 2009

"O que os professores pensam ao planificar"

Em 1989 este cientista da Educação que cito, traduziu muito bem num artigo de que aqui se extrai um excerto, o que os professores pensaram e fizeram desde sempre, profissionalmente. Em Portugal, temos responsáveis (peço desculpa à palavra) do governo que pensam que os professores são aplicadores de receitas e para os quais a avaliação normal é a correspondente a essa visão estreita. E parece que num congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação bateram palmas a uma triste figura. Se isso aconteceu, vai mal a "ciência" educativa em Portugal.

..."F) La routinisation des plans est une nécessité professionnelle et il faut en tenir compte dans toute innovation en favorisant les PONTS entre les anciennes et les nouvelles démarches; une innovation ne peut se concevoir qu'en termes d'une approprîatîon progressive par l'enseignant laissant le temps d'intérioriser les routines.
Ces routines libèrent l'esprit de "enseignant de )a préoccupation des contenus et lui permettent de s'occuper de la relation socio-affective. Il peut ainsi passer de la didactique à la véritable pédagogie au sens d'une prise en compte des réalités mouvantes du terrain (Halte, 1989).
Grâce aux routines, l'enseignant peut improviser, c'est-à-dire exceller tant dans le domaine des contenus à transmettre - qu'il manie à son gré une fois qu'ils sont intériorisés, que dans le domaine constamment adaptatif de sa relation avec l'ensemble mouvant des élèves. A cet
égard, l'enseignant expérimenté a moins besoin d'un modèle prescriptif linéaire comme celui de la «pédagogie » par objectifs que d'un cadre de travail souple tenant compte de la réalité pédagogique."


François TOCHON
Université de Genève

Ler o texto integral aqui

Um grande português: José Morgado

Hoje tive um momento de felicidade ao ver um blog sobre o grande matemático e antifascista português, professor José Morgado. Soube da sua existência ontem, em conversa com o seu filho Paulo Morgado, que está a desenvolver este trabalho de serviço público. É que não foi só Fernando Pessoa que deixou arcas... Explorar este blog é fonte de conhecimento, de cultura e de história.
Numa das suas palestras, José Morgado fazia uma comparação entre o nosso Bento de Jesus Caraça e Paul Langevin. Nesse texto reproduzia o célebre (mas suponho que pouco conhecido para os nossos contemporâneos) conceito de cultura geral:
«a cultura geral é aquilo que permite ao indivíduo sentir plenamente a sua solidariedade com os outros homens, no espaço e no tempo, com os homens da sua geração como com as geração que a precederam e com as gerações que virão depois. Ser culto é, portanto, ter recebido e desenvolver constantemente uma iniciação às diferentes formas de actividade humana, independentemente daquelas que correspondem à profissão, de maneira a poder estar amplamente em contacto, em comunhão com os outros homens.»
Este conceito faz lembrar a também célebre palestra de Caraça sobre "a cultura integral do indivíduo". Num tempo de utilitarismos estreitos e empobrecedores em que se quer transformar a Educação num mero mecanismo de adaptação a supostas exigências de "empregabilidade" do mercado, conceitos como estes são de trazer à superfície da discussão. Não por recusarmos a utilidade da Educação mas porque achamos que um utilitarismo estreito em que uma educação/adestramento limitada encerra o Homem é algo a combater.
Para quem gosta de história, de democracia, de matemática, de cultura geral, não deixe de passar pelo blog e por outro conexo: Cravo de Abril.
José Morgado foi também um grande professor. Conheci-o pessoalmente, infelizmente pouco tempo. Assisti a uma lição dele na Faculdade de Ciências do Porto sobre o Teorema de Pitágoras. O público presente, composto de jovens bem jovens e adultos, penso ter ficado completamente cativado pela amplitude da cultura e a qualidade da forma como se exprimia e tornava perceptível o seu pensamento.
Espero que aproveitem do blog como eu estou/vou aproveitar.
O endereço do blog é http://josecardosomorgado.blogspot.com/

Sábado, Abril 25, 2009

25/04/1974. Um testemunho.

No 25 de Abril de 74 eu tinha apenas 10 anos. No entanto vivi-o intensamente. Acompanhei e participei nas manifestações que quase diariamente passavam na minha rua da infância na direcção do Quartel General do Porto.
Um acontecimento da época marcou-me imenso. Foi uma sequência de eventos culturais que aconteceram, nem sei bem se só num dia ou numa série de dias, no Palácio de Cristal. Cantores de intervenção, poetas como Ary dos Santos, peças de Teatro, e muito mais, tive eu oportunidade de ver e sentir a 10 metros de mim. Nunca mais esqueci.
Para mim, para além de muito mais, a Revolução que todos nós sabemos está a ser adiada, significou um evento cultural transcendente. Disso me lembro vivamente.
Alguns dizem, Baptista Bastos, Saramago, que o 25 de Abril foi... e que se não tivesse acontecido talvez Portugal fosse o que é hoje. Em parte compreendo-os e até posso concordar também parcialmente. Mas discordo duma parte essencial: o 25 de Abril, como todas as Revoluções Progressistas deixou um travo (cravo) que permanecerá por muito tempo na memória e será também exemplo de possibilidade (que foi real momentaneamente) de um mundo melhor. Só por isso valeria e vale também, hoje em dia.
Na Educação o 25 de Abril foi uma verdadeira Revolução. Só pode menosprezá-lo dois tipos de pessoas: os ignorantes ou os mesmos que desde há muitos anos tem vindo a tentar e a conseguir que muitas vitórias de Abril, neste campo, sejam terraplanadas.
Num tempo em que o Povo anda triste, criseado", despedido, enganado, e manipulado, ver a alegria do mesmo Povo na Revolução da Liberdade constitui um conflito cognitivo dissonante que aos olhos de muitos dos que têm mais de 45 anos talvez comece a ser motivo de desalienação. Espero.
E aos professores espero esta data os comece a libertar da triste sina de não se saberem, ao fim e ao cabo, trabalhadores como a maioria do Povo. Trabalhadores cuja força sempre foi e será a unidade na acção. Acção essa que só pode ser feita na Esperança de um mundo melhor para todos e não a pensar na vidinha de cada um.

Sexta-feira, Abril 10, 2009

Aprender e ensinar

« 150 treinos mais 20 a 25 jogos por ano, de novo dispondo de total autonomia na direcção e condução da actividade, a significar terreno profícuo ao desenvolvimento, é no nosso olhar sobre o jogo que começa por ocorrer a mudança.
E o que começa a ocorrer, é que, progressivamente, o olhar na busca dos caminhos para ensinar, vai-se libertando da exclusiva conformidade com os conteúdos, para deslizar na identificação dos problemas que a situação de jogo colocava aos aprendizes.
Aprendemos a olhar não para o jogo, mas sim para o jogo que eles conseguiam jogar, focalizando o olhar nos expedientes de que se socorriam para resolver os problemas, para daí avaliarmos o nível de competência necessária para poderem ter êxito.
E fomos aprendendo que tínhamos de ser capazes de ver o jogo simultaneamente em duas dimensões. A dimensão real, que se traduzia naquilo que estava a acontecer, e a dimensão antecipativa, que se traduzia naquilo que deveria acontecer.
Situando-nos sempre entre o jovem e o jogo, fomos naturalmente percebendo que cabe a quem ensina adequar as condições de prática, quer às particularidades dos praticantes (competências que possuem), quer aos propósitos da aprendizagem (conseguir que joguem).
A experiência de Moçambique ensinou-nos a compreender que se aprende enquanto se ensina, e ensinou-nos a saber procurar mais com a aprendizagem do que com o ensinar.”

Hermínio Barreto (2004) Prontidão desportiva. Equilíbrio entre as capacidades de hoje e exigências de amanhã. In: Gostar de Basquetebol. Ensinar a jogar e aprender jogando (pp 19-20). Lisboa: Edições FMH.

Domingo, Abril 05, 2009

Viva Santo Onofre

O episódio que se está a passar em Santo Onofre e, com certeza noutras escolas deste país, é uma mistura de tratamento exemplar e de caça às bruxas. Tratamento exemplar para tentar demover alguém com ideias semelhantes para resistir ao avanço do processo do Ditador escolar; caça às bruxas para castigar os recalcitrantes.
É preciso dizer que estas situações só estão a acontecer com estes contornos e apimentadas com declarações giras - a minha mulher disse-me que aquela senhora de triste figura disse no parlamento que "os professores estavam do lado dela, como estão as autarquias e os pais" - porque muitos dos professores fraquejaram no momento em que não podiam fraquejar: o da entrega dos famigerados o.i.s. Esses "colegas" são cúmplices do que está a acontecer. Como cúmplices parecem também estar a ser certos dirigentes sindicais da FNE a quem está a cair a máscara e que estão a ter um papel de capos no Agrupamento de Santo Onofre.
Por mim que confesso atravessei um período de nojo, no blog e não só, por ver a dignidade a ser assassinada por tantos colegas "coitadinhos" a entregarem os seus o.i.s, nada melhor do que este momento para o interromper.
Um grande abraço para os professores de Santo Onofre. Hão-de Vencer.

Quarta-feira, Março 11, 2009

...

O blog está parado... mas... a luta continua...

Sábado, Fevereiro 21, 2009

Avanço do pensamento único

Hoje li uma notícia má. A editora Campo das Letras está em dificuldade e pode fechar. Depois da Caminho ser engolida pela Leya, este é mais um rude golpe nas editoras que publicam conteúdos críticos em Portugal.
O pensamento único, em Portugal, dá passos de gigante. Qualquer dia, ler em papel em português, ou ver na televisão ou ouvir na rádio algum conteúdo crítico será uma raridade. E então que dizer para aqueles que têm dificil acesso a obras noutras línguas.
A nossa escala de mercado tão reduzida torna pouco viáveis as editoras críticas. É pena.
Restam alguns espaços onde a crítica, por agora, pode ser feita e está a ser feita: a blogosfera é disso exemplo. A criatividade dentro da resistência precisa-se. E como a necessidade aguça o engenho...

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

Campanhas coloridas

Um senhor anda a queixar-se de estar a ser alvo de uma campanha negra.
Não vou tecer comentários sobre se é negra ou de outra cor ou se é campanha o que andam a fazer sobre esse senhor. Há uma investigação a decorrer. Esperemos que seja rápida e apure a verdade.
Mas sobre campanhas, negras e de outras cores mais se pode dizer. Esse mesmo senhor é mestre nesse tipo de campanhas. Por exemplo, em relação a várias classes profissionais, entre as quais a dos professores surge à cabeça, o governo que esse senhor encabeça, promoveu a mais longa campanha negra de que há memória.
E quanto a colorir campanhas, que dizer do dito relatório da OCDE sobre as políticas para o ensino básico, que afinal já não é da OCDE?
Será caso para dizer que está neste momento a provar de um dos venenos que tantas vezes utiliza?

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Árvore

Chamaram-lhe árvore
apenas
porque crescera com os pés
dentro da terra.

Chamaram-lhe homem
talvez
por parecer saber coisas
além do óbvio.

Mesmo estúpido e submisso é um homem.
Mesmo frondosa e erecta é uma árvore.

Humanas contradições.

Domingo, Fevereiro 01, 2009

Respostas e perguntas

Não é original o que vou dizer: tanto ou mais importante do que saber dar respostas é saber colocar perguntas. Aliás perguntas e respostas, respostas e perguntas estão em recíproca interacção. Hoje tive um exemplo disso: só quando a minha mulher começou a colocar questões para um problema com que nos deparávamos com uma câmera de video digital é que fomos capazes de dar uma resposta cabal ao problema. Enquanto em vão eu tentei dar respostas sem saber bem qual o problema em causa, a coisa não se resolvia.
E no meio de tudo isto o processo da experimentação, não tanto o de um ensaio e erro (que por vezes resulta) mas o de ensaios guiados por hipóteses. É por estas e por outras que a formação do bom senso e do espírito científico é importante para todos. Sem exclusões epistemológicas.
Como já ouvi a alguns pedagogos: a nossa educação está saturada de perguntas conhecidas com respostas já sabidas, esquecendo a espontaneidade de perguntas que querem mesmo saber respostas que se desconhecem.

Sábado, Janeiro 17, 2009

Coerência


"É graça divina começar bem.
Graça maior é persistir na caminhada.
Mas a graça das graças é não desistir nunca"
D. Helder da Câmara

Sábado, Janeiro 03, 2009

Educação e Alegria

"Toda a educação deve começar pela abordagem da alegria"
Elise Freinet

Citação feita pelo Paulo sucena ou pelo Boaventura Sousa Santos (já não me lembro) no Fórum Nacional "Unir vozes em defesa da Escola Pública" em Fevereiro de 1999 e promovido pela Fenprof.

Quinta-feira, Dezembro 25, 2008

Na morte de Harold Pinter

Um grande Homem morreu. O seu exemplo continua, nas suas palavras, peças teatrais, livros, etc. Como Homem nunca deixou de intervir nos grandes problemas do seu tempo, quando tantos intelectuais se acobertam na comodidade cómoda com que os tentam comprar. Um exemplo também para os professores neste tempo em que a dignidade está em jogo e alguns podem esquecer-se disso.

"A linguagem política, tal como a empregam os homens políticos, não se aventura sobre este género de terreno, pois a maioria dos homens políticos, a crer pelos elementos de que dispomos, não se interessa pela verdade mas pelo poder ou pela manutenção do poder. Para manter esse poder é essencial que as gentes continuem na ignorância, que vivam na ignorância da verdade, até da verdade da sua própria vida. O que nos rodeia é um vasto tecido de mentiras, do qual nos alimentamos."

"Eu creio que apesar dos enormes obstáculos que existem, ser intelectualmente resoluto, com uma determinação feroz, estoica e inquebrantável, a definir, enquanto cidadãos, a real verdade das nossas vidas e das nossas sociedade é uma obrigação crucial que nos incumbe a todos. Ela é mesmo imperativa.
Se uma tal determinação não se incarna na nossa visão política, nós não teremos alguma esperança de restaurar o que nós somos tão perto de perder - nossa dignidade de homem."

Estes excertos foram retirados da mensagem de Harold Pinter aquando da recepção do Prémio Nobel da Literatura. Pode ouvi-lo aqui ou ler o texto aqui em várias línguas.
Pode também explorar a Fundação Harold Pinter.

Segunda-feira, Dezembro 15, 2008

Avaliaçãozinha

Vamos brincar à avaliaçãozinha


Vamos brincar à avaliaçãozinha
Poeira, rasteira e boa grelhazinha
Vamos brincar à avaliaçãozinha.

A senhora de não sei quem
Que é de todos e de mais alguém
Passa a tarde afadigada
Mastigando a docentada
Com muita pena do aluno,
Coitada.

Vamos brincar à avaliaçãozinha
Poeira, rasteira e boa grelhazinha
Vamos brincar à avaliaçãozinha.

Neste mundo de instituição
Cataloga-se até o coração
O “socialismo” salva os ricos
Dá-se fome aos sem penicos
O seu jeito fará
Tudo em fanicos.

Vamos brincar à avaliaçãozinha
Poeira, rasteira e boa grelhazinha
Vamos brincar à avaliaçãozinha

O profe no seu penar
Habitua-se a rastejar
E no campo ou na cidade
Faz da sua infelicidade
Algo para os desportistas
Da caridade.

Vamos brincar à avaliaçãozinha
Poeira, rasteira e boa grelhazinha
Vamos brincar à avaliaçãozinha.

E nós que queremos ser irmãos
mas nunca sujamos as mãos
é uma vida decente
não uma ceia ou aguardente
o que é justo e há que dar
a essa gente.

Não vamos brincar à avaliçãozinha
Não vamos brincar à avaliaçãozinha.
Não vamos brincar à avaliçãozinha
Não vamos brincar à avaliaçãozinha.
Não vamos brincar à avaliçãozinha
Não vamos brincar à avaliaçãozinha.

H.S, com um obrigado ao José Barata Moura a quem se “deturpou a canção”.

Sexta-feira, Dezembro 12, 2008

Sem amos

Um ministério suportado por um governo por sua vez suportado por maioria absoluta, apoiado pela maioria dos donos (e das vozes do dono) da comunicação social, apoiado pela direita de facto - a económica sobretudo - pode fazer o que está a fazer aos professores: um assassinato orquestrado duma classe com requintes de malvadez e persistente no tempo.
Só que, na verdade, não o conseguirá.
Maria de Lurdes, os seus dois ajudantes e o seu primeiro vestido de Armani, mais cedo ou mais tarde, cairão do poleiro e voarão para outro, dourado provavelmente pelo dinheiro. É a vidinha. Mas não tenhamos contemplações: passados alguns anos ninguém se lembrará destas tristes figuras. O poderzinho que elas têm pode de facto atazanar muita gente mas é efémero e não passa dum poder de turno. O que deixarão eles, realmente, para o futuro?
Os professores, essa classe tão importante em qualquer sociedade que, como disse salvo erro Bourdieu exercem o "primeiro de todos os ofícios", ficarão por muitos e bons anos e serão um dia tratados e respeitados como merecem. Sobreviverão a bons e maus governos. Sem eles nenhuma geração chegará longe no domínio dos saberes.
De hoje em diante, embora divulgue a luta necessária, não mais proferirei neste blog o nome dum certo engenheiro avaliado por fax ou duma socióloga de olhar infeliz, sabe-se lá porquê?
E hoje, "há que dizê-lo com frontalidade", como sempre, saí feliz do meu posto de trabalho: não servi outro amo senão a Educação dos meus alunos.

Terça-feira, Dezembro 02, 2008

Unidos venceremos


Sexta-feira, Novembro 28, 2008

Branqueamentos na Educação

Como argumento para avançar com este monstruoso modelo de avaliação de professores a senhora ministra e o seu secretário de estado reconhecem não existir nenhum modelo igual a este na Europa mas que também não existe nenhum país com os nossos índices de insucesso e abandono escolar.
Tal argumento mesmo para mau entendedor só pode significar: o problema estava nos professores. Enfim, já sabíamos que éramos, nós os professores, o bode expiatório dos males da nossa Educação. Esta foi apenas mais uma acha para a fogueira em que estes senhores andam a queimar os professores há mais de três anos.
Só que talvez não seja mau fazer um exercício de raciocínio comparativo. Como eram os índices de literacia, insucesso e abandono escolar (ou falta de acesso escolar) há 34 anos, por altura da revolução democrática que derrubou o fascismo? Não sei números exactos. Só sei que o novo regime herdou um histórico pesadíssimo neste campo e que se fizeram progressos assinaláveis nestas últimas três décadas.
A senhora ministra, apesar de socióloga, comete assim um erro de algibeira e um tremendo erro político inconcebível em alguém que é membro de um governo “socialista”: branqueou 48 anos de fascismo no que à Educação diz respeito. E para quem faz isso não é também de admirar o branqueamento da actividade de muitíssimos governos nas três décadas recentes, nas quais se incluíram muitíssimos anos de governação “socialista”. A culpa estava todinha na pretensa falta de avaliação dos professores. Ministros, legislação, administração educativa, programas, condições de trabalho, etc, tudo isso não influenciou e influencia os nossos resultados escolares. E além disso, o mundo da nossa Educação deveria ser um oásis no meio da nossa sociedade da cauda da Europa…
Enfim, ao que chega a argumentação de alguém para quem tudo serve para denegrir gente séria que trabalha nas escolas.

Quinta-feira, Novembro 27, 2008

97,74%

Depois da Escola o Agrupamento:

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE OLIVEIRA DO DOURO
VILA NOVA DE GAIA

Excelentíssima Senhora Ministra da Educação:
Com Conhecimento à:
Presidência da República
Governo da República
Procuradoria Geral da República
Plataforma Sindical
Grupos Parlamentares
DREN
Órgãos de Comunicação Social
Os Professores/Educadores abaixo-assinados, - representando 97,74 % do total de Professores/Educadores do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Douro, - reunidos em 19 de Novembro de 2008, voltaram a expressar o seu veemente repúdio face ao actual modelo de Avaliação de Desempenho e à obstinação de Vossa Excelência em querer manter esse modelo, contra quase tudo e quase todos, pelos motivos a seguir enunciados:
1. A aplicação do modelo previsto no Decreto Regulamentar nº 2/2008 tem-se revelado inexequível, por ser inviável praticá-lo segundo critérios de rigor, imparcialidade e justiça, exigidos pelos Professores deste Agrupamento.
2. O Decreto Regulamentar nº 2/2008 não tem em conta a complexidade da profissão docente que não é redutível a um modelo burocrático, cabendo em grelhas e fichas pré-formatadas numa perspectiva desmesuradamente quantitativa e redutora da verdadeira avaliação de desempenho dos docentes .
3. O modelo previsto no Decreto Regulamentar nº 2/2008, pela sua absurda complexidade, não é aceite pelos professores, não se traduzindo em qualquer mais-valia profissional e/ou pessoal.
4. O Decreto Regulamentar nº 2/2008 afirma ter por objectivo melhorar a qualidade da escola pública. No entanto este pressuposto não pode ser alcançado devido ao clima de insustentável instabilidade e mal-estar resultante da sua própria tentativa de aplicação. Esse clima de mal-estar vinha já da implementação do concurso para Professor titular, que artificialmente fracturou a carreira docente e ainda por cima se baseou em parâmetros arbitrários, criando injustiças amplamente reconhecidas.
5. O Decreto Regulamentar nº 2/2008 impõe quotas para as menções de “Excelente” e “Muito Bom”, e, com isso, desvirtua, logo à partida, qualquer perspectiva dos docentes verem reconhecidos os seus efectivos méritos, conhecimentos, capacidades, competências e investimento na carreira.
6. O Decreto Regulamentar nº 2/2008 implica um enorme acréscimo de trabalho burocrático para os docentes, sem benefício correspondente para ninguém. Fica relegado para um plano secundário o processo de ensino aprendizagem prevendo-se graves consequências nas novas gerações e, naturalmente, no futuro do país.
7. O Decreto Regulamentar nº 2/2008 condiciona a avaliação do professor ao progresso dos resultados escolares dos seus alunos. Os professores deste Agrupamento consideram que mecanismos como a consideração directa do sucesso/insucesso dos alunos na avaliação dos docentes são incorrectos e injustos e estão em desacordo com as recomendações do Conselho Científico da Avaliação de Professores.
Pelo exposto, os Professores/Educadores abaixo-assinados decidiram suspender a participação neste processo de Avaliação de Desempenho, a começar pela não entrega dos objectivos individuais, até que se proceda a uma revisão concertada do mesmo, que o torne exequível, justo e transparente, ou seja, capaz de contribuir realmente para os fins que supostamente persegue: uma melhoria do exercício da profissão docente e das reais aprendizagens dos alunos no seio de uma Escola Pública de qualidade.
Vila Nova de Gaia, 19 de Novembro de 2008

Sexta-feira, Novembro 21, 2008

A incultura da senhora ministra

trago-vos aqui uma prosa que li hoje do Fernando Dacosta no JN.
"Sem memória não há ideias, sem ideias não há pensamento, sem pensamento não há criatividade e sem criatividade não há futuro."
"Agora as pessoas, sobretudo as que nos governam, estão perversamente a apagar a memória e a vender o seu peixe. É por esta razão que os grandes criadores portugueses estão a dar grande importância à memória".
"Há medo, nunca vi tanto medo no meu país".
Ao ver a senhora ministra com muita habilidade política (no sentido da "porca" da política como salvo erro se lhe chamava em Portugal no século XIX) e escassa cultura a anunciar "aquelas coisinhas", só me lembrei de duas coisas. Ir ler o Leopardo do Lampedusa que para vergonha minha ainda não li, mas sei que tem uma frase do género "É preciso que algo mude para que tudo fique na mesma". E a seguir reler Maquiavel que aconselhava o Príncipe a ser mau mas com bom gosto.
Triste dum país cujos ministros confiam na incultura do seu povo para governar.

Segunda-feira, Novembro 17, 2008

Riso momentâneo

Já nutri vários sentimentos pela actual equipa do ministério da Educação. Selecciono dois, ilustrativos: o pior foi o nojo que senti, por várias propostas repetidas, anti-constitucionais, as quais prejudicavam os professores doentes. E esse facto não é história, veja-se a proposta recente de concursos em que os destacamentos por doença estão na cauda da fila. Nojo também pela mentira repetida à exaustão que a equipa usa abundantemente.
Ontem este trio maravilha resolveu brindar-nos com um despacho (feito ao domingo e assinado pela senhora ministra). Mais uma vez enxota responsabilidades para cima dos professores e com formulações tão caricatas que me deu, momentaneamente, vontade de rir. Só momentaneamente, garanto. É que ir ao fundo das questões isso não é com esta gente. Eu tenho um aluno que está em casa com uma doença que o impede sequer de sair de casa. O que era preciso era haver condições para apoiar verdadeiramente alunos como este. Não é com provas de recuperação que assumam a treta de um "formato e um procedimento simplificado, podendo ter a forma escrita ou oral, prática ou de entrevista." Deixei em acta a necessidade de a escola ter meios para poder apoiar este aluno. Tretas como os despachos e o actual estatuto do aluno são soluções de papel para os reais problemas.

Domingo, Novembro 02, 2008

Imparável, mas...

Basta que os professores queiram e o movimento de suspensão deste iníquo processo dito de avaliação dos professores é imparável. As reacções simultaneamente ridículas, autistas, ziguezagueantes e por fim "ameaçantes" da "tutela", revelam que neste campo, perderam o pé. Haja capacidade dos professores de manterem inteligentemente a pressão, sem desgastes desnecessários imediatos.
Só que a questão da avaliação do desempenho, por muita importancia que tenha, e tem-na, é apenas parte de um todo. Tenho por teoria pessoal que em grande parte, este monstro burocrático foi levado a termo para nos entreter e fazer gastar forças. É que se eles conseguirem: manter a carreira dividida e o bloqueamento da sua progressão para a maioria dos professores; instaurar o modelo hierárquico-autocrático de gestão das escolas; manter aparências de que conseguiram avaliar os professores... eles abdicam de muitos trocados. E convenhamos... muito do que consta do modelo de avaliação do desempenho é de uma falta de sutentabilidade tão atroz que "mais cedo do que tarde" teria que cair. Por isso não esqueçamos as verdadeiras bandeiras da luta: contra o ECD do ME; contra o Modelo autocrático de gestão das escolas.

Quinta-feira, Outubro 30, 2008

Prémio Dardos



O Miguel do OutrÒÓlhar resolveu dar-me um prémio. Eu acho que não mereço mas agradeço a amabilidade dele.
Blogs a quem atribuo também este prémio (sem nenhuma ordem estabelecida):
1. OutròÓlhar; 2. Memórias soltas de prof; 3. Tempo de teia; 4. A educação do meu umbigo; 5. (Re)Flexões; 6. Profavaliação; 7. Terrear; 8. Anabela Matias; 9. Correntes; 10. O cartel; e tantos outros que eu infelizmente nem conheço a sua excelência pois não tenho tempo de os frequentar.

Quarta-feira, Outubro 29, 2008

98,68%

"E.B. 2,3 Escultor António Fernandes de Sá, Gervide

21 de Outubro de 2008


Excelentíssima Senhora Ministra da Educação


Considerando que esta avaliação do desempenho docente, imposta pelo Ministério da Educação que Vossa Excelência dirige, é um injusto e emaranhado processo burocrático que está a desviar os professores e as escolas daquilo que deve ser a essência da profissão e da organização escolar: ensinar e promover aprendizagens de qualidade em todos os alunos;
afirmando com uma convicção alicerçada na experiência do terreno que esta avaliação do desempenho, tal como está configurada, mais não passa de um absurdo desperdício de recursos de toda a espécie: humanos, temporais, materiais, emocionais, desperdício esse que em nada contribui, bem pelo contrário, para o desenvolvimento e valorização profissionais dos professores deste País ou para a melhoria da sua escola pública;
defendendo que a profissão de professor deve continuar a ser marcada pelos valores de colaboração e de solidariedade a que a competição estéril e o individualismo são alheios,
percebendo entre as intenções deste modelo de avaliação, - de forma directa ou indirecta e articulada com o também imposto Estatuto da Carreira Docente, - a de impedir a progressão na carreira da grande maioria dos professores e a de obter um sucesso escolar meramente estatístico sem correspondência no sucesso educativo real dos nossos alunos,

os professores abaixo-assinados que representam 98,68 % dos professores desta escola entendem ser seu dever ético e deontológico:
-recusar o modelo em vigor exigindo a sua suspensão urgente antes que produza mais estragos e consuma mais recursos;
-partir de imediato para a negociação de um modelo diferente de avaliação do desempenho que esteja expurgado dos defeitos intrínsecos atrás mencionados. "

Este foi o Abaixo-assinado, já com o resultado, enviado à senhora ministra.
Da nossa escola estão inscritos 52 professores para a manif de 8 de Novembro. É obra não é? É virtude de haver quem, sempre, na nossa escola, mesmo sem estar na direcção do sindicato, sempre esteve com ele, mesmo criticando-o. Malta da Fenprof, claro. Que não esquece o que aprendeu naquela frase antiga "o Sindicato somos nós".

Quarta-feira, Outubro 22, 2008

À pessoa certa

Estou cansado mas muito motivado. Na minha escola estamos a conseguir recolher quase o pleno de assinaturas de professores numa carta a dirigir à ministra da Educação a exigir o que é preciso neste momento.
Logo que seja o momento oportuno divulgarei essa iniciativa. O texto tem semelhanças com o mencionado no post anterior mas com o contributo de muitos colegas ficou muito melhor.

Sábado, Outubro 18, 2008

Que fazer?

Na minha escola há, como penso haver em muitas, um sentimento de profunda insatisfação perante este modelo de avaliação proposto pelo ME. No entanto é uma contestação surda, à boca pequena e nunca se traduziu em actos escritos. No entanto há também que dizer que fomos 50 professores à manif de 8 de Março do ano passado.
Na semana passada o meu departamento tomou por unanimidade uma posição de repúdio a este modelo.
Segunda-Feira irá haver uma reunião geral de professores para a qual os professores foram convidados para serem lá explicadas as "grelhas". Sem deixar de fazer em concreto a análise crítica das grelhas, pretendo apresentar uma proposta de abaixo-assinado a enviar à ministra da Educação. Vamos lá ver quantos dos meus colegas assinarão o texto, ou uma adaptação do mesmo. Direi antes de o pôr a rolar que só pretendo enviá-lo se ele for assinado por uma maioria substancial dos professores.

"E.B. 2,3...

20 de Outubro de 2008

Excelentíssima Senhora Ministra da Educação

Considerando que:
-esta avaliação do desempenho docente, imposta pelo Ministério da Educação é um monstro burocrático que está a desviar os professores e as escolas daquilo que deve ser a essência da profissão e da organização escolar: ensinar e promover aprendizagens de qualidade em todos os alunos;
-esta avaliação do desempenho tal como está configurada mais não passa de um sorvedouro de recursos temporais, materiais e emocionais que em nada contribui, bem pelo contrário, para o desenvolvimento profissional dos professores e a melhoria das escolas, que no entanto, são proclamadas incoerentemente no seu fraseado legislativo;
-a profissão de professor é inerentemente uma profissão de colaboração, de solidariedade e de valores elevados onde a competição estéril e o individualismo são males desnecessários.
Os professores abaixo-assinados que representam ____ % dos professores desta escola entendem:
-recusar liminarmente o modelo em vigor exigindo a sua suspensão urgente antes que produza mais estragos e consuma mais recursos;
-partir para a negociação de um modelo diferente de avaliação do desempenho que esteja expurgado dos defeitos intrínsecos atrás mencionados. "
Por outro lado julgo também ser muito importante aproveitar o facto de estarem lá todos os professores para discutir o que fazer no imediato em relação à entrega dos objectivos. Há colegas que simplesmente propõem a não entrega, outros que propõem a entrega de objectivos iguais. Eu acho que a primeira proposta só seria de realizar no âmbito de uma recusa de todo o processo de avaliação e de uma atitude colectiva, pois caso em contrário está mesmo a ver-se os resultados que poderia trazer para aqueles que enveredassem por esse caminho. Eu sou muito mais por tomadas de posição positivas e colectivas. Pensar nos objectivos colectivamente até poderia ser uma forma bastante interessante de tratamento do assunto nesta fase da contestação.
Já agora quero deixar aqui um link para o blog da 3sa que está a escrever os seus objectivos e a dar deles conhecimento público. Sobre o seu conteúdo e sobre o que vou conhecendo dela, só posso dizer que revelam uma professora que se distingue pela qualidade na acção e na reflexão, facetas imprescindíveis de um professor. (procurem lá os posts que tratam desta questão e aproveitem para ler os restantes)

Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Manifestações

Estão marcadas duas manifestações de professores, uma para 8 outra para 15 de Novembro. A primeira foi marcada pelos sindicatos depois da primeira ter sido marcada por colegas na net e ser formalizada por movimentos de professores. Eu preferia que estivesse apenas uma manif marcada e houvesse claramente uma perspectiva de luta a fazer e a começar nessa manif. Nem uns nem outros estiveram para aí virados e espero que esta bodega não dê para o torto.
Quanto a mim começo por ir à primeira que está marcada. Se a segunda não se apresentar com contornos anti-sindicais e me parecer minimamente estruturada vou também à segunda. É que sei que os sindicatos são muito necessários. Critico-os quando tenho de o fazer e eu faço-o até de dentro mas não alinho na sua fragilização que é suicidária para os professores.
Nesta história ninguém me parece estar isento de críticas. Espero que a coisa afinal acabe bem. É que nós, professores, bem estamos precisados disso.

Domingo, Outubro 12, 2008

Sentido para a luta

Depois de uma tarde completa a trabalhar para os meus alunos e para a escola, mas sem sequer pensar no monstrinho da avaliação, parei para vir aqui ao meu blogzito.
Que me apetece dizer: apenas que tenho a convicção que os professores, se quisessem e se se unirem, poderiam travar as iníquas políticas para o sector da Educação e para os professores em particular. Está em movimento alguma coisa que pode significar o início de uma contestação a sério. Faço votos que as organizações de professores, a Fenprof em especial, saibam motivar os professores para uma sábia acção. E desejo ardentemente que os professores se saibam unir contra aquilo que é visivelmente mau contribuindo para construir uma alternativa. Mais do que isso já não estará nas nossas mãos de professores.
Na verdade e ao longo da História, penso que aqueles que souberam lutar pelos seus ideais no fundo sempre tiveram motivos para se sentirem bem consigo próprios. Hoje, ao fim da tarde em que trabalhei para os meus alunos e para a minha direcção de turma sinto-me bem, como me sinto bem sempre que fiz gréve e foram muitas (todas), sempre que fui a manifestações (e perdi-lhes a conta), sempre que protestei na escola ou fora dela e apontei o que estava mal ou o que deveria ser mudado (e foram muitas essas vezes).
Os professores dignos desse nome e eu felizmente sinto-me fazer parte desse rol, têm tudo para se sentirem bem consigo próprios e para se sentirem legitimados na luta que agora deve começar a crescer. Lutar por gosto e com a consciência tranquila cansa menos do que se acomodar àquilo em que nos querem transformar: burros de trabalho amansados.

Quinta-feira, Outubro 09, 2008

Che Guevara - carta aos filhos

Em 9 de Outubro de 1967, Che Guevara era assassinado a mando dos Estados Unidos da América. Mataram-lhe o corpo, imortalizaram-lhe a imagem e a alma.
Esta é uma carta que escreveu a seus filhos e onde expressa algumas ideias fundamentais com repercussão política e educativa.

Aos filhos:
"Queridos Hildita, Aleidita, Camilo, Célia e Ernesto:
Se alguma vez tiverem que ler esta carta, será porque eu não estarei mais entre vocês. Quase não se lembraram de mim e os mais pequenos não recordarão nada.O pai de vocês tem sido um homem que atua, e certamente, leal a suas convicções. Cresçam como bons revolucionários. Estudem bastante para poder dominar as técnicas que permitem dominar a natureza. Sobretudo, sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça praticada contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Essa é a qualidade mais linda de um revolucionário. Até sempre, meus filhos. Espero vê-los, ainda. Um beijão e um abraço do Papai."

Apetece dizer como ele disse:

"HASTA LA VICTORIA. SIEMPRE"

Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Se os professores contam, é preciso mostrar-lhes isso.

Nesta altura faço votos que os professores contem consigo mesmos naquilo que não podem deixar de fazer neste momento, lutar e lutar com rumo por uma política educativa diferente, sem o que serão coniventes por desistência com estas políticas destrutivas maquilhadas pela propaganda diária do governo de Pinto de Sousa e de Maria de Lurdes.
Todos não seremos demais aproveitando todos os recursos das nossas organizações profissionais e em primeiro lugar dos sindicatos docente que também precisam de contar connosco.
Se os professores contam é preciso que contem consigo próprios.

Quinta-feira, Outubro 02, 2008

Pena dos "governantes"

Que pena que eu tenho dos nossos "governantes". Se eles passam todos os santos dias e os dias santos a fazer propaganda eleitoral, devem ter de passar a "governar", ainda que pouquinho, à noite. Deve ser uma grande estafa. Coitadinhos.

Domingo, Setembro 28, 2008

Paul Newman - homenagem indirecta

Recolhi dos comentários do blog do Paulo Guinote um comentário da Fernanda que me diz muito do ponto de vista pessoal. Referia-se a um artigo da Pública de hoje.

"Fernanda 1 Diz: Setembro 28, 2008 at 1:52 pm
Tenho aqui o jornal. Mas ainda não li a entrevista.
Li o artigo sobre Paul Newman. E li e reli o começo do artigo. Dizia Paul Newman em 1959:
“Há alguns que são actores natos, intuitivos. Eu não. Representar, para mim, é tão difícil como dragar um rio.É uma experiência dolorosa. Não tenho, muito simplesmente, nenhum talento intuitivo. O meu trabalho inquieta-me e estou sempre a queixar-me das minhas representações.”
Muitos de nós poder-se-ão rever nestas palavras.
E não apenas naquele rosto perfeito e naqueles olhos azuis que enchem o ecran."

Paul Newman, digo eu, continuará vivo durante muitos, muitos anos, pois o que ele representa é da ordem do Humano e não da ordem do efémero. Coisa a afirmar num tempo em que alguns que não resistirão à espuma dos dias se consideram hoje, o máximo.

Segunda-feira, Setembro 22, 2008

Citação com direitos de autor

Furtei à 3sa uma citação que sinto também pessoalmente e que faço questão de aqui a colocar:

Despite the formidable difficulties, I remain optimistic, perhaps because there is to me a contradiction in being simultaneously pessimistic and an educator. (A Place called School – John Goodlad, 2004 [1984], p. 361)

Domingo, Setembro 21, 2008

Para esquecer o Outono

A Isabel no Memórias Soltas foi um pouco mázinha e lembrou-nos a todos que o Verão está a fugir. Para esquecer esse facto e também outros personagens sinistros, deixo aqui esta canção.

Sábado, Setembro 20, 2008

Solidariedade com Cuba

"Amigos(as)
Aqui segue uma lista de instituições que se encontram a recolher os bens alimentares para ajuda ao povo cubano.O primeiro avião com alimentos parte no dia 24 de Setembro, na próxima 4ª feira. Ainda temos tempo para fazer chegar uma primeira ajuda a estes locais.Depois deste outros se seguirão.Toda a nossa disponibilidade solidária é importante!
Refiro os alimentos necessários:
- leite em pó
- massa
- arroz
- conservas
beijinhos a todos
Manuela Silva

locais de recolha de alimentos:
PORTOCOMCUBA
Rua Barão Forrester, 7904050-272 Porto
Telefones: 962 539 884 / 966 316 201 / 938 460 221
Casa Sindical de Vila do CondeRua do Lidador, 46 - R/C - 4480-791 VILA DO CONDE - Telef. 252631478
Sindicato do Comércio, Escritórios - CESP (Delegação Porto)Rua Fernandes Tomás, 626 - 4000-211 PORTO - Telef. 222073050Delegação do CESP na Póvoa de VarzimRua da Junqueira, 2 - 4490-519 PÓVOA DE VARZIM - Telef. 252621687
CASA SINDICAL (TVC)Av. da Boavista, 583 - 4100-127 PORTO - Telef. 226002377
Sindicato dos Professores do NorteRua D. Manuel II, 51-3.º - 4050-345 PORTO - Telef. 226070500
Sindicato da Construção e MadeirasRua de Santos Pousada, 611 - 4000-487 PORTO - Telef. 225390044
Casa Sindical de Santo TirsoRua Tomás Pelayo, - 4780-557 SANTO TIRSO - Telef. 252855470
União Local de FelgueirasR. dos Bombeiros Voluntários, R/C - Esq.-T. - FELGUEIRAS - Telef. 252631478
Casa Sindical USPRua Padre António Vieira, 195 - 4300-031 PORTO - Telef. 225198600
Casa da Paz - (Secretariado permanente da Campanha)
Rua Rodrigo da Fonseca, 56 - 2º - Lisboa (perto do Marquês de Pombal)
Contactos
Telefones: 213 863 375 / 213 863 575
Fax: 213 863 221
Telemóveis: 962 022 207, 962 022 208, 966 342 254, 914 501 963

Campanha de ajuda humanitária ao povo de Cuba


Porto mobiliza-se para a ajuda ao povo de Cuba

A PORTOCOMCUBA, organização promotora da campanha de ajuda humanitária ao povo de Cuba lançada em Portugal na sequência da dramática devastação provocada pela passagem de dois furacões e uma tempestade tropical, apelou hoje em conferência de imprensa, à mobilização de todos os portugueses em torno do objectivo de, até dia 24 de Setembro, se reunir o maior número de embalagens de Leite em pó, massa, arroz e conservas para a ajuda imediata ao povo cubano.

A PORTOCOMCUBA reafirmou que sempre esteve e sempre estará solidária com o povo cubano nos momentos mais ou menos difíceis da sua história, e que assumirá a ajuda fraterna nesta circunstância de maior necessidade. Apelou ainda à compreensão geral da população em relação a estas necessidades imediatas do povo cubano.
_______________________________________________________________
A União de Sindicatos do Porto também se solidarizou com a campanha de recolha de alimentos para as vítimas dos furacões em Cuba, levada a cabo pela Comissão PortoComCuba."

Sexta-feira, Setembro 19, 2008

Ideia

Os sindicatos deveriam já estar no terreno, a auscultar os professores. A plataforma deveria ser ressuscitada. Os movimentos que entretanto apareceram não deveriam ser ignorados desde que não ignorem, por sua vez os sindicatos. Os blogs da coisa educativa, alguns dos quais atingem uma proeminência bem merecida, podem e devem estar envolvidos neste processo todo.
Penso estar a criar-se o terreno propício para poder levar a cabo dentro de algum tempo uma nova MegaManif fora de horário lectivo. A qual deveria anteceder-se de uma explicação cuidada dos seus objectivos aos pais.
O lema que me surge na cabeça é: DEIXEM-NOS TRABALHAR.
Penso que transmitiria uma mensagem de grande significado para a população. Não me importava de pagar direitos de autor ao senhor Silva.

Os alunos compensam

Final da primeira semana de aulas: muito trabalho mas os alunos compensam. E também compensam ter de continuar a aturar as malfeitorias mais do que nunca enfeitadas de Pinto de Sousa e da sua troupe.
Ser professor será sempre uma coisa mágica quando se estabelece uma relação de trabalho em que se pretende elevar todos os seus protagonistas.
Nós professores, acima de tudo, temos de não esquecer que os alunos não têm culpa do que eles andam a fazer à Educação e aos professores. Sejamos superiores. Saibamos cultivar a resistência pró-activa inteligente.
E digamos aos sindicatos que estamos cá para lutar, empurrando com ideias ou literalmente as suas direcções para uma atitude activa, que parta sempre de uma ampla e constante audição dos professores.

Sábado, Setembro 13, 2008

O socialismo dos ricos

Lá fora quando os bancos privados dão lucro são os privados a lucrar, quando dão prejuízos ou estão quase a ir à falência os governos neoliberais nacionalizam-nos fazendo pagar esses prejuízos a todos os contribuintes. Quando voltam a engordar privatizam-nos outra vez.
Por cá, vejam este relato de decisões recentes do partido "socialista" relativamente a grandes grupos económicos.
"Em Março de 2008, o actual governo aprovou a Resolução do Conselho de Ministros nº 55/2008, que passou despercebida à opinião pública e aos media, que vai determinar que a GALP pague menos 211,8 milhões de euros de IRC. Como os principais accionistas da GALP são o grupo Amorim com 33,34% do capital, cujo dono é o homem mais rico de Portugal como noticiaram os jornais, e o grande grupo económico italiano de energia ENI, também com 33,34% do seu capital, serão estes os grandes beneficiados com esta benesse do governo dada à custa das receitas do Estado. Para se poder ficar com uma ideia mais clara que interesses o governo de Sócrates efectivamente defende interessa recordar o seguinte: durante o debate do Orçamento do Estado de 2008, o grupo parlamentar a que o autor deste estudo pertencia apresentou uma proposta com o objectivo de aumentar os escalões do IRS em 3% relativamente aos valores que vigoraram em 2007 devido ao facto da taxa de inflação em 2008 aumentar 3%, e não o 2,1% previsto pelo governo. Apesar desta medida determinar uma redução de receita fiscal que estimamos em apenas 60 milhões de euros, mesmo assim o governo de Sócrates recusou-se aceitá-la. No entanto, oferece de mão beijada 200 milhões de euros do IRC à GALP, quer dizer ao homem mais rico de Portugal e ao grupo económico italiano ENI. É evidente que serão depois principalmente os trabalhadores e os reformados a ter de pagar com os seus impostos este “buraco” criado nas receitas fiscais."
O autor é o economista Eugénio Rosa

Sexta-feira, Setembro 12, 2008

Que nojo

Quanto à operação de propaganda que o governo fez hoje, dia do diploma e do "cheque", deixo a sua desmontagem para a conferência de imprensa da Fenprof que, em conjunto com dois investigadores da Educação, foi bastante esclarecedora.
Da minha parte em relação a esse assunto só posso expressar o meu profundo nojo pelas manobras demagógicas e nocivas do governo.
Para compensar passei a tarde numa acção de formação sobre Educação Intercultural. As minhas expectativas não eram grandes. Felizmente agradou-me a forma como a temática foi tratada.

Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Mandatos escolares paralelos

Todos nós sabemos, os que andamos nas escolas, que os mandatos que têm caído em cima das escolas e dos professores são descomunais e impossíveis de responder. Os professores e escolas, na sua grande maioria, tentam responder a estes mandatos excessivos para os quais não estão preparados e não têm meios necessários. As soluções reais passarão evidentemente por mudanças sociais que respondam às necessidades que não deverá caber às escolas resolver. As crianças quando vêm para a escola, deverão vir bem alimentadas, vestidas, bem alojadas, bem educadas em famílias que também elas tenham os recursos necessários para os fornecer às suas crianças. Enquanto isto não acontecer as escolas e os professores irão tentando tapar remendos, fazendo tantas vezes o impossível e sendo acusadas de não conseguir aquilo que se lhes torna inviável conseguir.Que solução proponho para tudo isto: acho que as escolas e os professores, individualmente e colectivamente devem simultâneamente denunciar, propor e agir. Denunciar tudo aquilo que a nível das políticas sociais gerais e educativas geram problemas que caem em cima da escola; exigir mudanças a nível destas políticas; propor soluções verdadeiramente educativas como profissionais que são; agir da forma mais responsável e profissional, ajudando as crianças e jovens que nos cabe educar e que não têm culpa nenhuma das situações difíceis em que tantas vezes estão colocadas. Ainda que pense que um professor possa só querer intervir conscienciosamente dentro da sua escola penso que só no seio duma dinâmica mais geral os problemas educativos se podem resolver. Pensar de outro modo é, na minha opinião, ingenuidade.

Recreios escolares

Hoje ouvi o Eduardo Sá e a Isabel Stilwell no seu programa de rádio da Antena 1. Confesso que não sou grande adepto do estilo e das ideias um pouco melífluas dos dois mas desta vez concordei com o que lá foi dito, especialmente pelo Eduardo Sá, sobre os recreios escolares.
Disse ele e penso eu também que são espaços onde deve haver regras de segurança e onde deve haver uma vigilância não concentracionária de algum agente educativo: apontou ele, por exemplo, animadores. Quanto às regras de segurança disse, inclusivamente, que os pais se deveriam queixar à ASAE relativamente a falta de condições de segurança no sentido de que o ministério/escolas as assegurasse. Quanto à vigilância disse também que ela deveria ser feita por pessoas e não por máquinas de videovigilância.
Quanto à Isabel, começou por dizer que havia demasiada escola, demasiados dias e horas em que as crianças passavam na escola (e deu os exemplos dos países nórdicos, com mais tempos de férias escolares intercalares), ao que o Eduardo lhe respondeu, concordando, que também pensava que mais escola não era necessariamente melhor escola.
P.S. Hoje, li e concordei totalmente com o editorial do José Manuel Fernandes no Público. Coisa inédita para mim.

Segunda-feira, Setembro 08, 2008

Lá como cá.

Continuação da citação do post anterior:
"... Lamentavelmente, nem todos os advogados da reforma reconhecem esta verdade. É que nos anos seguintes à publicação, em 1983, de A Nation at Risk, quando o nosso debate nacional sobre educação se tornou um evento mediático "público", fechámos virtualmente os olhos à natureza, aos usos e ao papel do ensino. Não foi bem assim: increpámos com azedume a profissão docente como inqualificada, e concentrámo-nos na amplificação das suas qualificações e competências para ensinar. O ensino tem sido tratado como um mal necessário; quem dera que tivéssemos computadores para o fazer. Alienámos assim, provavelmente, o nosso maior aliado na reforma."
Comentário: há significativas ou quase totais semelhanças em relação às "reformas" nos países capitalistas avançados e com uma diferença de duas décadas em relação a nós. Porque é que isto acontece?

Sábado, Setembro 06, 2008

Leitura fundamental - Jerome Bruner


Jerome Bruner, reputadíssimo psicólogo e homem que desde sempre esteve envolvido com as questões da Educação escreveu páginas que penso inspirarem qualquer educador que goste de caldear as práticas com as teorias da Educação. É preciso não esquecer que ele foi um dos homens mais envolvidos nos contextos da reforma da Educação americana a partir dos anos 60 e que desde aí acompanha o que se passa nesta área.

Nestas férias tive oportunidade de o conhecer melhor. Gostei especialmente da leitura de um dos seus livros mais recentes, penso eu, "A Cultura da Educação" que data de meados dos anos 90.

Desse livro, que recomendo, vou retirar pequenos excertos que provavelmente irei colocando aqui, no meu cantinho. Começo por este que acho bem significativo para começar.

"Não há reforma educativa que avance sem um adulto activa e seriamente participante - um professor empenhado e preparado para dar e partilhar a ajuda, para confortar e construir apoios. A aprendizagem na sua plena complexidade implica a criação e negociação do significado comum numa cultura mais ampla, e o professor é em geral o representante da cultura. Não é possível um plano curricular à prova de professor, como o não é uma família à prova de pais. E uma tarefa importante no contexto de um esforço de reforma - sobretudo do tipo participativo que atrás sublinhávamos - é trazer os professores ao debate e à configuração da mudança. É que eles são os agentes últimos da mudança. Foi um dedicado corpo docente que, ao fim e ao cabo, transmitiu os ideais da Revolução Francesa - ao longo de quase um século de dedicação." pag 118

Sexta-feira, Setembro 05, 2008

Continuando a corrente


Vou de seguida referir quais os blogs que frequento. Não sou propriamente um navegante no que a blogs se refere. Só fujo da minha lista quando vejo referências que considero interessantes.
Então e por ordem alfabética:

O blog da Isabel Campeão, pela sensibilidade fina e pela revelação de ricos conteúdos, processos, relações que só uma professora com a sua qualidade nos pode transmitir;


O blog do José Matias Alves pelos conteúdos e referências variadas e principalmente quando nele transparece a vertente crítica;


O Blog do Miguel Pinto, hábil colocador de questões/debates, um perfeccionista da blogosfera e um amigo que ultrapassou a rede;


O do Paulo Guinote, incontornável local de crítica e informação abundante e incisíva.



Os Blogs e site do Ramiro Marques pelo seu activismo, informação actualizada e abundante.


O blog dos bonecos geniais do WEHAVEKAOSINTHEGARDEN.


Evidentemente há muitos mais blogs brilhantes, mas os anteriores foram aqueles com quem fui estabelecendo uma relação mais estável.

Quarta-feira, Setembro 03, 2008

A máscara de Sócrates

As máscaras colocam-se e retiram-se, no caso dos artistas. No caso de "políticos" como Sócrates, a coisa funciona de forma diferente. Andam com elas permanentemente e, volta e meia, estas vão caindo, especialmente quando alguém lhes aponta os reais problemas ou quando obstáculos reais são colocados às suas limitações políticas.
Foi o que aconteceu agora, nas colocações de professores, com o desemprego de 40 000 pessoas que têm em comum serem formados na profissão de professores.
Sócrates, tal como eu previra em post recente, descartou-se deste real problema com a receita já conhecida: as escolas não são agências de emprego. E para acabar com as perguntas incómodas que ameaçavam desvirtuar o 1.º dia de propaganda virtual do governo na área da Educação rematou com a frase: "Acabaram-se as facilidades". Descartou assim, com penada cínica, o problema/drama de 40 000 pessoas e suas respectivas famílias. Nunca o vi reagir assim, por exemplo, em relação às centenas de milhares de portugueses que estão actualmente no desempego e que vão agora engordar mais, com mais alguns milhares de professores. Aí, a receita demagógica foi: vamos criar 150 000 empregos.
Na Educação, tal é a crispação que lhe faz cair a máscara, Sócrates reage assim, sem o mínimo de compaixão que se poderia pensar ser normal num "socialista".
Nos artistas as máscaras são recursos fundamentais e apreciáveis. Nos "políticos" como Sócrates são artifícios que me fazem desligar a televisão.

Terça-feira, Setembro 02, 2008

Agradecimento

Agradeço sinceramente ao senhor primeiro ministro e à senhora que vocês sabem por perder cada vez menos tempo, quase nenhum, com a porcaria da televisão.

Segunda-feira, Setembro 01, 2008

Contra a corrente

Entrevista muito interessante a Dermeval Saviani:
«No último Cole (Congresso de Leitura), realizado na Unicamp, foi consensual a opinião de que a escola está há muito deixando de lado o seu papel de educar e de formar o cidadão. O senhor concorda?
O que eu tenho constatado e também tem sido um dos vetores das lutas que travamos desde a segunda metade da década de 70, é uma certa tendência a deslocar aquilo que me parece ser o papel principal da escola. Entendo que ela tem a ver com o saber sistematizado, com a cultura letrada, com o saber científico. Não com o senso comum, o saber espontâneo, o saber da experiência, ou aquilo que é chamado de cultura popular. Por quê? O que se pode constatar é que, para desenvolver a cultura popular, não se precisa da escola. Agora, na medida em que se desenvolveu uma tendência que desvalorizava ou secundarizava a cultura erudita e valorizava a cultura popular e, por conta disso, passou-se a taxar a escola como alienante, como instrumento de dominação por estar ligada à norma culta, comecei a me perguntar: em que grau isso é realmente transformador? Em que grau isto não vai fazer o jogo da dominação existente? A escola seria uma forma do homem do povo ter acesso ao saber elaborado, sem o que esse tipo de saber fica privilégio das elites.
Houve reação a esta posição?
Passei a me bater contra a tendência a diferenciar as escolas: a das massas e a das elites, esta última qualitativamente mais desenvolvida. Isso me colocou num certo momento num embate com os seguidores do Paulo Freire, que viam nas minhas formulações uma contraposição a esse educador, embora minha crítica não se dirigisse propriamente a Paulo Freire, mas a essa visão de escola que secundarizava a importância do saber elaborado.
Como o senhor reagiu?
Essa visão de escola sempre me intrigou, porque era como se você nas escolas devesse fazer discurso político. Como esse discurso vai se sustentar se não existe conteúdo das várias áreas que os alunos viriam a dominar? Então esse discurso acaba deixando os trabalhadores sempre na dependência dos intelectuais. Isso me chocava. Os defensores da escola centrada no saber elaborado eram acusados como tendo uma visão vanguardista. A crítica era na seguinte direção: o povo é que deve estar na direção do movimento e os intelectuais têm que se deixar dirigir pelas próprias massas. É aí que reside o problema: como as massas podem exercer a função de dirigentes se elas não estão instrumentalizadas? A democracia deve ser buscada, mas ela não está no ponto de partida e sim no ponto de chegada.
O senhor poderia explicar?
Quando vou, por exemplo, me relacionar com os analfabetos, é uma falácia acreditar-se que posso ter uma relação democrática com a criança ou aluno. Não há democracia aí porque ele está numa posição em que depende do meu auxílio para adquirir determinados instrumentos. O processo pedagógico é que deve elevá-lo. No ponto de chegada, sim. Uma vez alfabetizado, ele se torna capaz não apenas de se expressar oralmente, como também por escrito. E o que funda a relação pedagógica é exatamente essa diferença. Aí sim a diferença é removida e a igualdade se estabelece. Aí pode ser travada uma relação democrática. É claro que essas coisas têm níveis diferentes de análises. Foi essa discussão que se travou nas décadas de 1970 e 1980.
E na década de 1990?
Ao longo da década de 1990, esses problemas tenderam a se deslocar para um plano secundário, ou até mesmo foram superados. Aí surgiu esse fenômeno que está sendo constatado agora, ou seja, os próprios agentes governamentais assumindo essa visão de que a escola deve ter mais uma função assistencial do que propriamente de formação intelectual, de preparo cultural.
O senhor poderia exemplificar?
A função assistencial não é específica da escola. Se você considera que é preciso políticas sociais nesse campo porque as famílias não estão mais dando conta de sobreviver, trata-se de política compensatória que você pode fazer via secretarias de assistência social.
O senhor acha que existe essa confusão hoje no Brasil?
Não só acho que há uma confusão, como acho que as políticas educacionais governamentais no nível do MEC têm estimulado esse viés assistencialista. Acho que há aí um componente econômico-financeiro associado ao ponto de vista ideológico. Do ponto de vista econômico-financeiro, como se trata de ajustar o país à hegemonia do capitalismo financeiro, que envolve fazer ajustes e garantir o serviço da dívida, os recursos têm que ser canalizados para essas prioridades. E como é que você atende às necessidades sociais? Você apela para a comunidade, para o voluntariado... Há um componente ideológico também no seguinte sentido: entende-se que a integração da população se daria por esses mecanismos, mais ou menos informais, porque numa sociedade que atingiu alto nível de desenvolvimento tecnológico, transfere-se para as máquinas boa parte dos processos de trabalho, de produção, de comunicação. E o gerenciamento dessas máquinas, assim como a direção do processo social, depende de um conjunto relativamente restrito de técnicos, de intelectuais...A população de um modo geral não precisa ter acesso aos conhecimentos sistemáticos e nem é conveniente que tenha porque isso é custoso e não seria necessário.
O senhor acredita que essa política é deliberada?
Sim. Um outro componente dessa visão ideológica é que os conhecimentos que a população precisa dominar são mais os do dia a dia. O importante não é estar empregado, mas ser empregável. Ser empregável significa ter flexibilidade e capacidade de adaptação. E você se adapta na medida em que você convive, se relaciona. Então os conhecimentos sistemáticos tendem a ser secundarizados. A questão que se põe, que precisa ser pensada, é se isto tenderia a alterar substantivamente o caráter da escola. Se isto é um indicador de que a sociedade está mudando e que, com a mudança da sociedade, a natureza da escola também está mudando.
O que pode ser feito?
Termos que resistir a essa tendência dominante. Mas essa resistência vinha se manifestando a meu ver de forma passiva e individual. Então eu postulei a resistência implicando duas características: 1) que ela seja organizada e coletiva e 2) que ela seja propositiva. Não adianta resistir na base do não concordo. O governo baixa um decreto e eu manifesto minha discordância. Isso não se impõe. Quando muito, pelo que tenho observado, se a grita é mais ou menos geral, o governo faz recuo tático. Para dar eficácia a esse movimento de resistência, propus a estratégia que chamei de resistência ativa. E é um pouco nessa linha que o Coned –Congresso Nacional de Educação- se organizou para discutir o Plano Nacional de Educação, contrapondo uma proposta àquela do governo. De minha parte fiz algo parecido: formulei as linhas básicas do Plano Nacional de Educação, ao mesmo tempo em que confrontei a proposta do MEC com a posição que surgiu no Coned, com a qual a minha proposta tem várias afinidades e objetivos comuns, mas tem alguns aspectos diferenciados, seja do ponto de vista das diretrizes e de algumas medidas... « http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/outubro2002/unihoje_ju194pag05.html

Sábado, Agosto 30, 2008

"Trocar de Povo"

“Pesquisa recente concluiu que a elite brasileira é mais moderna, ética, tolerante
e inteligente do que o resto da população. Nossa elite, tão atacada através dos
tempos, pode se sentir desagravada com o resultado do estudo, embora esse
tenha sido até modesto nas suas conclusões. Faltou dizer que, além das suas outras
virtudes, a elite brasileira é mais bem vestida do que as classes inferiores, tem
melhor gosto e melhor educação, é melhor companhia em acontecimentos sociais
e é incomparavelmente mais saudável. E que dentes!
A pesquisa reforça uma tese que tenho há anos segundo a qual o Brasil, para dar
certo, precisa trocar de povo. Esse que está aí é de péssima qualidade. Não sei
qual seria a solução. Talvez alguma forma de terceirização, substituindo-se o que
existe por algo mais escandinavo” (Verissimo, 2007).http://www.revista.epsjv.fiocruz.br//include/mostrarpdf.cfm?Num=185



Lá como cá: trocar de povo; trocar de atletas...

Sexta-feira, Agosto 29, 2008

Cinismo

A respeito das dezenas de milhares de professores formados que ficam sem colocação anualmente são tecidos pelos governantes e reproduzidos por muitas pessoas, algo como isto: " as escolas ou o Estado não são feitas para dar empregos".
Os sindicatos muitas vezes reagem, e bem, apontando como muitos dos milhares que ficam no desemprego são fruto de escolhas e decisões políticas. Em Portugal, por exemplo, tem havido decisões que remetem para o desemprego e precariedade absoluta dezenas de milhares de professores, num quadro social em que existem necessidades de Educação e qualificação escolar e profissional enorme se comparados com outros países. Um contrassenso portanto. Dizem também os sindicatos, e bem, que foram decisões políticas que deixaram formar-se para professores, com o seu total beneplácito e sem informar sequer os jovens que as saídas futuras poderiam estar vedadas...
Eu acho, no entanto, que num plano mais geral - que tantas vezes não conseguimos ter pois estamos remetidos a visões de curto prazo, - há que afirmar uma coisa fundamental: uma Sociedade Civilizada e de Direito não pode fazer dos seus cidadãos seres remetidos para meros instrumentos de uma economia ao serviço do interesse de alguns. A Economia como prática social deve estar feita e organizada para satisfazer as necessidades dos seus Cidadãos.
Dizer simplesmente às pessoas que se formaram ainda por cima no Ensino Superior que simplesmente se desenrasquem é cúmulo de cinismo. Compreendo os pobres de compreensão que caem na esparrela de reproduzir tais irraciocínios. Aos outros, esses, é preciso combatê-los também aqui, no campo das ideias comuns.

Quinta-feira, Agosto 28, 2008

Dermeval Saviani

Dermeval Saviani é um nome consagrado da Pedagogia brasileira. Acabei de reler o seu célebre livro Escola e Democracia e em pesquisa na net encontrei o seu site. Vale a pena explorá-lo. Aqui deixo um pequeno excerto de uma entrevista a servir de aperitivo para mais leituras deste autor. Os problemas da Educação são muito semelhante por esse mundo fora. No caso desta entrevista vejam as semelhanças notórias entre questões da política da Educação no Brasil com as do Portugal actual.
"2. Existe realmente esta “cultura da repetência” que o ministro da educação Paulo Renato alega existir?
R. Não considero apropriada a expressão “cultura da repetência”. A palavra “cultura” remete à noção de “sistema de valores”, como se pode observar na definição clássica de cultura que a considera como os modos de pensar, agir e sentir de um povo. Ora, nesse contexto, cultura da repetência estaria significando que a repetência é tida como um valor positivo levando os professores a considerar que reprovar é bom, isto é, o bom professor é aquele que reprova. Admitidas as exceções de praxe, entendo que não é esse o sentimento dominante entre os professores. Afinal, há cerca de 70 anos (recorde-se o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova lançado em 1932) vem sendo execrada a figura do professor tradicional, autoritário, aquele que estaria sempre de algum modo predisposto a lançar mão do instrumento da reprovação para se impor diante dos alunos. Nessas circunstâncias, o recurso à expressão “cultura da repetência” não passa de uma maneira de mascarar as condições precárias a que estão relegadas as escolas públicas, condições essas que impedem os professores de ensinar e os alunos de aprender, levando aos altos índices de repetência apurados pelas pesquisas. Não é, pois, por acaso que a referida expressão freqüenta, geralmente, o discurso dos governantes que têm sob seu encargo a formulação e execução da política educacional. Mascarando as razões reais da repetência com a alegada “cultura da repetência”, eles elidem, assim, a própria responsabilidade diante dessa situação. Assumindo uma diretriz política que comprime cada vez mais os investimentos em educação, o que agrava as suas condições precárias, eles tentam jogar para os professores e para a própria população a responsabilidade por esse estado de coisas. "
"4. O ministro Paulo Renato defende a promoção automática como solução para reduzir com a repetência. O senhor acha que isso é solução? Por que?
R. Definitivamente, a promoção automática não é solução para o problema da repetência. Isto porque, como se infere da própria denominação, a passagem é automática, isto é, os alunos são promovidos independentemente do que fizeram ou deixaram de fazer. Ou seja, quer se tenha atingido os objetivos quer não, tenham ou não preenchido os requisitos, a aprovação irá ocorrer. Deixa de ser relevante, assim, o desempenho tanto dos alunos como dos professores. Coisa diversa é o empenho em se atingir a meta da “repetência zero”, vale dizer, o objetivo de que todos sejam promovidos. Aqui se trata de criar as condições para que todos os alunos atinjam os objetivos definidos para os diversos componentes curriculares que integram o processo de ensino-aprendizagem. Em verdade, a defesa da promoção automática se liga mais ao objetivo de melhorar as estatísticas dos serviços educacionais do que ao objetivo de garantir a qualidade do ensino. Com efeito, tenho observado que os atuais responsáveis pela política educacional parecem mais preocupados em melhorar as estatísticas educacionais do que em melhorar a qualidade das escolas. Assim, se se adotasse imediatamente a promoção automática, os índices de repetência tenderiam a cair para zero e estatisticamente o problema estaria resolvido. No entanto, nem por isso a situação das escolas se alteraria, permanecendo o mesmo quadro de deficiências e precariedades que se associam, hoje, aos altos índices de repetência. O que precisa ser feito é equipar adequadamente as escolas e instituir uma carreira digna para o corpo docente como fizeram os países que, a partir do final do século passado, implantaram os seus sistemas nacionais de ensino, universalizando o ensino fundamental e, em conseqüência, erradicando o analfabetismo. Em condições adequadas o normal é que as crianças aprendam sendo, portanto, promovidas. Assim, resolve-se o problema da repetência porque as crianças, de fato, aprendem e não porque se decretou a promoção automática."
A ligação para o site encontra-se aqui.

Quarta-feira, Agosto 27, 2008

"Burlesconi"

"Berlusconi está a escrever as 14 canções românticas para o CD, que deve sair no Natal. Mas não canta. Apicella, antigo cantor de casamentos napolitano, é que dará voz às letras do chefe de governo italiano, em que não haverá espaço para politiquices. "O CD não toca quaisquer temas políticos, é só sobre o amor", (sublinhado meu) garantiu Apicella ao jornal italiano La Repubblica."
Esta notícia vem nas páginas interiores do jornal O Público (Pessoas), tem mais de um quarto de página e só a fotografia ocupa esse quarto de página. Artistas como Madonna ou Johnny Depp litmitam-se a ter uma fotografiazinha que é uma décima parte da do italiano. Enfim, jornais de referência obrigam!
Mas isto não tem nada de política, este meu post. Estou apenas a juntar palavras. É o meu jogo preferido.

Domingo, Agosto 24, 2008

De novo Madureira Pinto

Continuando a percorrer as paisagens discursivas de Madureira Pinto, que tanto aprecio, aqui vos deixo com uma citação/aperitivo/link para mais um interessantíssimo texto dele sobre a Escola e seus contextos.

Os professores têm a obrigação de ter um discurso e um pensamento sobre a educação que vão para além do senso comum já tão mastigado mas tão falso como aparentemente verdadeiro. MP é um desses intelectuais que nos pode ajudar a essa reflexão tão importante, a nós que também somos ou nos deveríamos assumir como intelectuais.

"A escola não tem o direito de se divorciar do que possa ocorrer, na vida de cada jovem,
a jusante do sistema educativo, e isso porque, além do mais, como já se disse, as
tendências, reais ou inventadas, que aí se inscrevem interferem, para o bem e para o
mal, na definição dos seus projectos e, portanto, na relação que o mesmo jovem
estabelece, dia a dia, com a própria escolarização."

Leitura fundamental

Um dos intelectuais portugueses pelos quais nutro profunda admiração é o sociólogo José Madureira Pinto. Nos últimos tempos escreveu algumas das palavras mais lúcidas sobre as políticas de Educação em Portugal.
Um artigo que saiu no jornal o Público já aqui o reproduzi anteriormente. Hoje remeto para uma entrevista com muitas ideias importantes e essenciais onde faz uma leitura crítica e incisiva sobre os problemas actuais da Educação, incluindo aqueles que o actual governo traz para a área, com as suas pretensas políticas reformadoras.
Há que salientar no entanto que muito mais do que uma crítica às decisões do governo as palavras de Madureira Pinto são duma clarividência e duma auto-informação pouco vista nos intelectuais da nossa praça.
As citações que de seguida faço, dessa entrevista ao jornal A Página, são bem eloquentes e por outro lado fogem bem ao sentido comum que os neoliberais tentam disseminar na opinião pública com a ajuda dos potentes meios de "comunicação" de massa.
1.

não se pode exigir ao sistema educativo níveis de
qualidade que muitos outros domínios da sociedade portuguesa não alcançaram.
Considero até – e esta é a minha tese – que algumas das limitações que ainda
subsistem no sistema educativo decorrem mais das debilidades e dificuldades da
sociedade portuguesa em geral do que propriamente da incapacidade do sistema
e dos seus principais actores, os professores, que não são, ao contrário do que se
afirma, o elo mais frágil do sistema educativo.
"
2.
"não se pode deixar de questionar a incapacidade do sistema económico
em absorver o conjunto dos licenciados saídos do sistema, problema que,
na minha opinião, finge-se não existir. Mas ele começa a colocar problemas sérios,
porque estamos a falar já de largas dezenas de milhar de jovens licenciados que
não têm emprego ou que apenas conseguem colocação em trabalhos onde se
exige aptidões inferiores às suas qualificações escolares."

Mas mais do que estas citações, as ideias de Madureira Pinto valem como um todo. Confesso que anteriormente a este autor, da área da sociologia, só um outro, noutra perspectiva, me pareceu, por dentro, interpretar tão bem as dinâmicas da nossa Educação: o saudoso, Rui Grácio.

Sábado, Agosto 23, 2008

Isomorfismos

A Educação e outras instituições estão dentro das sociedades a que pertencem. Se a Sociedade é "desenvolvida" é normal que as suas instituições, tais como a Educação ou o Desporto que nela existam também o sejam. O contrário também será normal.
Em Portugal, provavelmente como fuga às frustrações quotidianas, ou como forma ideológica de usar argumentos, os portugueses são exigentes em quererem ver resultados no Desporto e na Educação que estão bem acima de outros indicadores sociais. É preciso não esquecer, por exemplo, que Portugal tem a maior ou das maiores percentagens de pobres da Europa e que é das sociedades mais desiguais, em que o fosso entre os mais ricos e os mais pobres é mais cavado.
É verdade que, por exemplo, no Futebol, a nossa selecção atinge voos bem altos, muito acima daquilo que seria de esperar dum país como o nosso. Mas aqui não é surpreendente pois pode bem ver-se quanto é alto o investimento económico-político neste desporto que é cada vez mais espectáculo e indústria e menos desporto.
Se Portugal investisse na Educação tanto como investe no Futebol, com certeza saltaríamos uns furos bem para cima.

Quarta-feira, Agosto 20, 2008

Ministro da Educação abre fogo sobre estudantes

No dia 27 de Junho de 2008 o ministro da Educação do Iraque, "Khudayer al-Khuza'i", encontrava-se de visita a um dos centros de exame final no campus da faculdade de Educação situada no distrito "Seba' Abkar" da cidade de Adhamiya. Quando o ministro entrou no centro, os estudantes começaram a queixar-se das suas péssimas condições: não havia energia para pôr a ventilação a funcionar, a temperatura era de 55º C e não havia água para beber. Os estudantes também relataram ao ministro muitos outros problemas que se lhes punham e que lhes dificultava muito a realização dos seus exames finais. Ao ouvir as queixas daqueles estudantes frustrados, o ministro da Educação puxou da pistola e começou a alvejar os estudantes com balas verdadeiras. Em simultâneo os seus guarda-costas começaram a disparar à toa sobre os estudantes. Foram mortos e feridos muitos estudantes iraquianos inocentes neste terrível incidente.
À beira deste a dita cuja sai beneficiada.

A não esquecer

"olvidar es proprio de los seres humanos y recordar es tarea de los profesores"
M. Fernández Pérez

Segunda-feira, Agosto 18, 2008

Sócrates, o sofista.

Sócrates, - o personagem histórico português não o grego, - tem apenas um defeito: imita pessimamente o Ricardo Araújo Pereira dos Gatos Fedorentos.
Tive hoje oportunidade de confirmar isso mesmo, quando ele disse que estamos perto de concretizar a meta do governo de criar 150 000 empregos. Ainda perorou sobre os pessimistas de ideologias diferentes da dele que não queriam saber das estatísticas dos órgãos estatais.
Apenas uma pergunta: e quantos empregos foram destruídos neste mesmo período, senhor Sócrates?
Sócrates o grego foi um filósofo verdadeiro que viveu na altura em que existiam uns sofistas que com retóricas manhosas levavam a vidinha.
O nosso homónimo português saiu mais aos outros. Digo eu. E o que acham da minha opinião sobre a terrível imitação que ele faz do Ricardo Pereira?

Quinta-feira, Julho 17, 2008

Até para o ano... companheiros.

O esquema, na sua forma global, está todo montado e até já mostrou os seus resultados com o sucesso estatístico dos últimos exames.
Temos uma carreira partida, com titulares ao mesmo preço que dantes mas com poderes sobre os seus subalternos e com o grosso dos outros a baixo preço, subordinados e enquadrados...
Temos uma gestão hierárquica a cujas vozes do dono, em compensação pela assumpção de caninas posições terão poderes internos nunca vistos...
Temos instrumentos variados de fragilização da condição docente que vão até à precarização absoluta no caso de muitos milhares de professores.
Temos um aumento brutal do controlo sobre os actos e as determinações dos professores e das escolas encoberta sob a retórica da autonomia.
Temos mais algumas coisas que quadraram o círculo... mas o círculo não é quadrado e por isso é um sofisma.
A tudo isto só uma resposta resistente e forte dos de "baixo" mostrando aos de "cima" que estamos cá para as curvas pode ser uma "solução".
Contem comigo companheiros.

Sexta-feira, Junho 27, 2008

Ufa

Hoje no telejornal da rtp1 várias peças deram conta das perdas de milhões de euros na bolsa dos belmiros, amorins e berardos da nossa praça.
Como nós, povo, somos umbiguistas: só pensamos nas perdas de dezenas de euros dos nossos magros vencimentos.
Ponhamos os olhos nestes mártires dos novos tempos, nós que nem imaginamos o sofrimento que seria perder estes milhões. À beira deles nós não sabemos o que é sofrer.

Domingo, Maio 25, 2008

Presentes

"As ilusões nunca são perdidas. Elas significam o que há de melhor na vida dos homens e dos povos. Perdidos são os cépticos que escondem sob uma ironia fácil a sua impotência para compreender e agir, perdidos são aqueles períodos da história em que os melhores, gastos e cansados, se retiram da luta, sem enxergarem no horizonte nada a que se entreguem, caída uma sombra uniforme sobre o pântano estéril da vida sem formas.
Bento de Jesus Caraça (1901-1948) in A Cultura Integral do Indivíduo-Problema Central do Nosso Tempo. Conferência proferida em 1933"
Recolhido no blog da Isabel


A Lista A não ganhou a direcção central do SPN. Ganhou no entanto muita coisa. Ganhou 5 àreas distritais; ganhou o apoio de cerca de 42% dos sócios do sindicato; ganhou o afecto de muita gente que se uniu em torno de um novo fôlego para o sindicato.
Ontem estivemos reunidos para fazer o balanço e para celebrar a nossa união. Não vamos formar nenhuma tendência dentro do sindicato. Seremos isso sim, vozes activas dentro do SPN para que ele volte à sua matriz inicial: estar nas escolas com os professores; servir ideais de escola pública de qualidade para todos.
Foi muito afectuosa a nossa reunião, particularmente quando homenageamos singelamente mas muito comovidamente a Ruth Rodrigues, a Manuela Silva e o Mário de Carvalho.
Desejo sinceramente que na lista vencedora haja metade daquilo que ontem nos uniu. Era sinal de que o SPN poderia estar a arrepiar caminho.
Nós por cá continuaremos, fraternalmente activos e vigilantes. É que sabemos quanto é necessário um sindicato dos professores forte e combativo para os tempos difíceis que percorremos.

Terça-feira, Maio 20, 2008

Excelência

Hoje estive presente numa excelente conferência do psicólogo Jaan Valsiner sobre níveis de desenvolvimento e a sua coordenação. A dado passo, com gozo pessoal notei eu, ele referia como fora de moda os temas e as metodologias que utilizava. A excelência das suas ideias e os factos que apresentou para as defender foram para mim um tónico. E bem precisava, depois de horas antes ter ouvido a notícia das recomendações do conselho nacional de educação sobre o 2.º ciclo. Nem tudo pode ser rasca neste tempo onde suposta ciência serve a mais despudorada e interessada política.

Sexta-feira, Maio 16, 2008

Manif de Professores. 17 de Maio.

Este Sábado pelas 15h00, no Porto, Manif dos professores. Lá nos encontraremos. É preciso manter viva a chama.

Domingo, Maio 11, 2008

Lista A para o S.P.N.

No próximo dia 13 de Maio há eleições para a direcção do Sindicato dos Professores do Norte. Há duas listas. Eu voto na Lista A. Aliás, faço parte dela. Acredito que ela pode significar um reforço do sindicalismo aqui no Norte que me parece esmaecido há alguns anos.

Quinta-feira, Maio 01, 2008

1.º de Maio

Numa conjuntura como esta, marcada por uma crescente exploração e precarização dos trabalhadores, faz por demais sentido comemorar o Dia 1.º de Maio.
Na dita concertação social o governo e os representantes do grande patronato tentam ou mascarar os problemas reais existentes ou agravar ainda a situação dos trabalhadores.
Uns, o governo PS que enquanto oposição afirmou que modificaria os aspectos gravosos do Código de trabalho do Bagão Félix, agora contribuem para a "festa" do agravamento da precariedade e da situação de todos os trabalhadores.
Outros, os representantes do grande patronato, pedem sem vergonha a possibilidade de despedimento sem justa causa.
Só mesmo a união dos trabalhadores e dos seus sindicatos podem obstar a que a continuação de um retrocesso civilizacional como o que se está a impor na nossa sociedade possa vingar. O dia 1.º de Maio, dia de Luta mas também dia de Festa e confraternização dos trabalhadores, é dia importantíssimo para marcar a diferença. É dia de mandar recado a quem nos governa e a quem obtém lucros imensos nas grandes empresas, que a força dos trabalhadores, quando unidos, é osso duro de roer.
No campo da Educação os professores têm muitas razões para estarem presentes. Primeiro porque são trabalhadores. E em segundo lugar por serem trabalhadores que viram ser agravadas de forma inaudita as suas condições de trabalho nos últimos anos.
Hoje, quando percorrer as ruas da baixa do Porto vou lembrar aqueles que já não estão cá mas sempre estiveram e estarão connosco. E vou recarregar baterias para a Luta que se segue. Um homem isolado pouco vale. Como dizia o senhor barbudo, "Trabalhadores de todo o mundo: uni-vos". Aí está um dos grandes segredos da luta. Agora e sempre.

Domingo, Abril 27, 2008

Dia da Higiene e Segurança no Trabalho - A propósito da violência

Encontrei num documento da OIT, Organização Internacional do Trabalho, um documento sobre Violência no local de trabalho. Tem muita coisa a ver com a situação que vivem muitos professores em Portugal. A ler na totalidade aqui.
"4.7.3. Enseñanzas de la experiencia
El empleador, en consulta con los representantes de los trabajadores, debería permitir
que los trabajadores afectados por la violencia en el lugar de trabajo puedan informar de
sus vivencias y, concretamente:
! comentar experiencias personales con los demás, a fin de neutralizar los efectos de la
violencia;
! ayudar a los afectados por la violencia en el lugar de trabajo a comprender y superar
lo que han vivido;
! infundir ánimo y brindar apoyo;
! centrarse en los hechos y proporcionar información;
! explicar cuál es la ayuda disponible.
4.7.4. Mitigación
Los gobiernos deberían promover el apoyo a las víctimas de la violencia en el lugar
de trabajo mediante programas públicos de atención de salud; acceso a tratamiento, cuando
proceda; regímenes de seguridad social; sistemas de salud y seguridad en el trabajo u otras
iniciativas estatales. Asimismo, deberían ofrecer posibilidades de rehabilitación y dar a
conocer su existencia a todos aquellos afectados por la violencia en el lugar de trabajo.
El empleador, en colaboración con los trabajadores y sus representantes, debería
prestar apoyo al trabajador afectado durante todo el período de rehabilitación y concederle
todo el tiempo que necesite para recuperarse, en la medida de lo razonable.
Siempre que sea posible y conveniente, se debería alentar al trabajador afectado a
volver al trabajo, evitando ejercer demasiada presión en un principio y, llegado el caso,
tomando las disposiciones de trabajo que hagan falta para facilitar su reintegro."

Sexta-feira, Abril 25, 2008

25 de Abril

Abril trouxe-me a esperança num mundo novo onde as perspectivas de fraternidade estão ao virar de cada página dum livro de Sophia, no riso de uma criança que não passa fome e brinca satisfeita, na rua sem pedintes.
Abril não se esquece por decreto nem por decisões de políticos formatados de pensamento único.
Abril é data de hoje que lembra aquele dia "inteiro e limpo" que se há-de erguer amanhã. Porque os "amanhãs" já cantam hoje em quem não é cínico e vive para além do seu umbigo.

Terça-feira, Abril 22, 2008

Organização do esquecimento

Inesquecível? Para alguns, sim. Mas há os que preferem um sistema de esquecimento organizado: de liberdade sem peias para uns poucos e obediência para muitos; de socialismo para os ricos e capitalismo para os pobres. Eles preferem que o incontestável poder das pessoas comuns seja enviado para o que George Orwell chamou o buraco da memória. Poder-se-ia perguntar: como podemos nós esquecer quando vivemos na era da informação? A resposta para isto é uma outra pergunta. Quem é o "nós"? Ao contrário de tu e eu, a maior parte dos seres humanos nunca utilizou um computador e nunca teve telefone. E aqueles de nós que são tecnologicamente abençoados, muitas vezes confundem informação com media, e traquejo empresarial com conhecimento. Estas são, provavelmente, as mais poderosas ilusões dos nossos tempos. Há mesmo um novo vocabulário, nos quais conceitos nobres foram empresariados em significados enganosos, perversos e mesmo contrários. Inesquecível? Para alguns, sim. Mas há os que preferem um sistema de esquecimento organizado: de liberdade sem peias para uns poucos e obediência para muitos; de socialismo para os ricos e capitalismo para os pobres. Eles preferem que o incontestável poder das pessoas comuns seja enviado para o que George Orwell chamou o buraco da memória. Poder-se-ia perguntar: como podemos nós esquecer quando vivemos na era da informação? A resposta para isto é uma outra pergunta. Quem é o "nós"? Ao contrário de tu e eu, a maior parte dos seres humanos nunca utilizou um computador e nunca teve telefone. E aqueles de nós que são tecnologicamente abençoados, muitas vezes confundem informação com media, e traquejo empresarial com conhecimento. Estas são, provavelmente, as mais poderosas ilusões dos nossos tempos. Há mesmo um novo vocabulário, nos quais conceitos nobres foram empresariados em significados enganosos, perversos e mesmo contrários.

John Pilger

Segunda-feira, Abril 21, 2008

Significativa contradição, não acham?

Repare-se nesta contradição que penso não se dever deixar passar em branco. Uma associação de empresários criada com o alto patrocínio do presidente da república e em parceria com o ME anda a promover projectos em alguns sítios com o objectivo de obter mais sucesso escolar. Pelo que se vê, proporcionam estes senhores, fundos, e fundos é coisa que não lhes falta, para que certas escolas possam melhorar as condições proporcionadas a alguns alunos em risco. E criam-se assim condições de excepção para alguns alunos e espero que sejam de facto alunos desprivilegiados, assumindo-se que também passa por um financiamento maior a luta contra o insucesso escolar. Repare-se que o ME é parceiro desta iniciativa mas a senhora ministra farta-se de dizer que não é por falta de recursos que o sistema de ensino português tem problemas...
Significativa contradição, não acham os meus leitores?

Quinta-feira, Abril 17, 2008

Razões do entendimento

Estou convencido que em grande parte o que levou os sindicatos a assinarem o entendimento foi o facto de terem a noção de, não serem capazes neste final de ano, mobilizarem os professores para protestos mais radicais.
Optaram assim por um mal menor, averbando alguns ganhos e tempo para poderem voltarem à carga no início do próximo ano que pode e deve ser preparado já desde agora.
Foi também por isso que concordei com a assinatura do entendimento.

Sábado, Abril 12, 2008

Lições para um futuro imediato

O que aconteceu com o entendimento dos sindicatos com o ME para salvarem o terceiro período foi uma vitória dos professores que deve ser devidamente valorizada.
Não houve acordo pois o afastamento em aspectos essenciais é evidente (na gestão, no ECD e na própria avaliação do desempenho) mas de facto, pela primeira vez e de forma clara, o governo cedeu.
E há que realçar o facto assim como que quem ganhou foram os professores que estiveram unidos e que se expressaram em 8 de Março e continuariam com certeza a expressar-se neste fim de ano lectivo. E juntamente com os professores ganharam os sindicatos como estruturas que realmente representam os professores e que estes devem valorizar, participando neles.
Penso que deveria ficar claramente evidente também para todos que a luta dos professores passa completamente a leste, por exemplo, do conselho de escolas e de outras estruturas que o governo domina hierarquicamente.
E como seria bom que os professores tivessem entendido a lição da importância da luta na obtenção das possíveis vitórias que nunca são dadas nem nunca estão garantidas. É que há ainda tanto por lutar para mudar o já aprovado modelo de gestão e o ECD que nos compartimentou e piorou as nossas condições de trabalho e de vida.
O Dia D é já Terça-Feira. Aproveitemos esse dia.

Quinta-feira, Abril 10, 2008

Coisas sumamente interessantes

O número de Abril do Jornal A Página da Educação, interessante jornal da cousa educativa, afirme-se, pago em grande parte com os dinheiros do meu sindicato (SPN) que o criou e mantém, traz entre outras coisas, duas bem interessantes:
-uma entrevista ao sociólogo José Madureira Pinto, onde ele com mais espaço pode mostrar melhor o seu pensamento sobre a actual situação da escola e dos professores;
-a revelação do pensamento antigo de MLR quando era aluna de Raul Iturra.
Vão lá e leiam.
Tempos depois da saída do jornal costuma ser posta online a edição.

Sexta-feira, Abril 04, 2008

Quando for grande quero escrever assim

"Com conteúdos e qualidade muito diversos, as medidas de política educativa do actual Governo manifestam, em qualquer caso, um princípio unificador bastante preciso: retirar direitos ("privilégios", no entendimento dos responsáveis governamentais), poder e auto-estima aos professores dos ensinos básico e secundário. Intrigado com esta estranha coerência, terminava José Gil a sua coluna na Visão de 21 de Fevereiro com a seguinte inter­rogação: "Nisto tudo, porquê tanto ódio, tanto desprezo, tanto ressentimento contra a figura do professor?" Procurando contribuir para responder à pergunta, direi que a atitude governamental em causa, para se poder apre­sentar com tanta convicção e coerência, teve de basear-se em alguns equívocos, que passo a tentar enunciar. Um primeiro equívoco consiste em admitir que a sociedade portuguesa oferece aos jovens condições homogeneamen­te favoráveis de acesso e de relacionamento com a escola, tornando por isso fácil e padronizável a acção pedagógica. Partindo deste equívoco, o corolário político extraído pela actual equipa ministerial foi o de que os alegados maus re­sultados obtidos no sistema educativo português são direc­tamente imputáveis aos seus protagonistas maissalientes: os professores e os órgãos de gestão dasescolas.A verdade é que, para sustentar tal posição, é precisoacreditar que: a sociedade portuguêsa não é marcada por fortes desigualdades económico-sociais; é estatisticamente irrelevante a proporção de crianças e jovens a viverem em situação de pobreza ou em famílias com horizontes de em­prego precários; não há défices de instrução e de literacia muito elevados entre a população adulta, portanto entre os pais de muitos alunos que hoje frequentam a escola; não há falta de tempo nem de preparação de muitos encarregados de educação para o acompanhamento escolar dos filhos; não há espaços residenciais estigmatizados nem formas de socialização desviantes a eles associadas; não hádiluição de factores de motivação para o trabalhoescolar induzidos pelo consumismo e por ilusões deascensão social difun­didas no campo dos media e dasindústrias culturais e de lazer; não há carências nem falta de coordenação entre instituições de apoio social às populações e grupos escola­res mais desfavorecidos; não há desmotivação dos jovens para o prosseguimento de estudos por falta de perspectivas profissionais valorizadoras das aprendizagens escolares; não há pressão para a saída precoce da escola em direcção a postos de trabalho precários e muito pouco qualificados (em Portugal ou até emEspanha); etc.O segundo equívoco é, em grande medida, uma pro­jecção do primeiro no modo de conceber o quotidiano concreto das escolas e desdobra-se, também ele, em múl­tiplas crenças: os equipamentos escolares têm sempre grande qualidade; as turmas reais têm a dimensão que lhes atribuem as "médias" oficiais; é estável, transparente e coerente a malha de regulamentação das actividades lectivas de iniciativa governamental (raramente avalia­das, aliás) a que os professores têm de se adaptar; não há alunos com dificuldades acumuladas nas turmas; há acompanhamento permanente a esses alunos por parte de equipas pluridisciplinares devidamente preparadas e estáveis; há muito tempo disponível no horário dos professores para se relacionarem com os colegas, para prepararem conscienciosamente as aulas e para se en­contrarem consigo próprios no quadro de estratégias de autoformação consistentes e estimulantes; a sala de aula é um espaço de transmissão da mensagem pedagógica sem resistências nem dissidências por parte dos recep­tores, e onde a indisciplina é pontual epassageira; não há sofrimento nem forte incidência deburnout entre os docentes; etc. Assumidas estas ficções sobre a sociedade portuguesa e as suas escolas concretas, basta que se assuma também o pressuposto (individualista/subjectivista) segundo oqual a acção dos professores depende exclusivamente de qualidades e intenções que lhes são "próprias", e não sobretudo, como acontece na prática social em geral, da estrutura de limitações e oportunidades com que seconfrontam - basta que se assumam aquelas ficções eeste pressuposto para se começar a acreditar, e depoisa jurar, que os problemas da escola portuguesa começam e acabam na inabilidade, preguiça, "corporativismo", desleixo, desinteresse dos professores, responsabilizando-os publicamente por isso. Foi esta a armadilha intelectual em que se deixou caira equipa ministerial, quase desde o momento em que iniciou funções. Daí à hostilização sistemática dos professores, ha­bilmente mediada pelo ataque às suas estruturas sindicais, não foi senão um passo. (...)Numa altura em que os teóri­cos da organização e gestão empresarial defendem cada vez mais a importância do envolvimento e participação criativa dos trabalhadores (encarados como actores "re­flexivos"), desconfiando dos que teimam em racionalizar e controlar os comportamentos no espaço do trabalho sem ter em conta a pluralidade e riqueza das suas dimensões humanas, a obsessão "gestionária"do Governo no modo de conceber a actividade docente (actividade relacional por excelência) tem o seu quê de anacrónico - e pode vir a ter consequências muito negativas, se não forem revistas alguns dos seus fundamentos e modos de concretização."


José Madureira PintoSociólogo; professor da Universidade do Porto
Sociólogo, dos melhores.
(inicialmente publicado na edição de Domingo, 9 deMarço de 2008, no Público)"

Comentário meu: apenas tenho a dizer que Madureira Pinho, excelente pessoa além de excelente sociólogo como pode conhecer quem leia a sua obra, cai num erro. É que a equipa ministerial não cai em equívocos nenhuns. Cria intencionalmente equívocos, maldosamente, recorrendo a jogo sujo, propaganda, omissões, inverdades e mentiras para enganar o povo português, denegrindo com propósitos economicistas e divisionistas o professorado português. É um bocado grosso, mas é a verdade. Talvez política e socialmente incorrecta mas a verdade.

Quarta-feira, Abril 02, 2008

Esta gente não presta

Depois de ler o que resultou do "encontro" do ME com os executivos de Coimbra proporcionado pelo blog do Ramiro Marques só posso dizer o seguinte:
Está provado que só alguém independente hierarquicamente do ME pode lidar com eles e liderar a contestação de que o Ramiro fala. às manobras de divisão que o ME usa eu chamo mesmo de corrupção. A senhora ministra deve ter tirado o curso com o de Gondomar que oferece apitos dourados aos árbitros e caravelas douradas a ministras da educação. Ela oferece cargos prolongados, créditos horários e remunerações acrescidas. Às medidas recentes sobre os professores doentes e incapacitados eu chamo-lhes medidas nazis. É preciso chamar os bois pelos nomes. Estes senhores no ME não prestam. São gente sem escrúpulos que usam de tudo, da omissão à mentira, da demagogia à propaganda para atingir os seus objectivos. Se os deixarmos eles subjugarão toda uma classe deixando apenas à superfície os capatazes necessários.

Rude golpe

Rude golpe, ha que reconhecer. Os conselhos executivos de Coimbra cederam à chantagem do ME para não prejudicarem, dizem eles, os contratados. A luta não passa centralmente por aqui. Tem de passar pela massa dos professores bem dirigida pelos sindicatos.

Domingo, Março 30, 2008

Raio de hipocrisia esta

É a mesma estrutura de poder DREN/ME que é compreensiva com a colega do Carolina (dizendo que ela deve ficar em casa no terceiro período e precisa de carinho) que ao mesmo tempo manda para a mobilidade, descartando os cerca de 2500 professores incapazes de dar aulas por motivos de doença. Não digo que a primeira atitude está mal. A segunda é que é um comportamento digno de nazis. Estes socialistas portugueses será que estão a seguir o caminho dos nacionais alemães do descalabro dos anos 30/40? É que os alemães também eram socialistas, nacionais socialistas e tratavam os deficientes ou os doentes da forma que se conhece.
Sem querer branquear o comportamento dos alunos, de facto, como diz o colega do blog Massamansa os alunos são o elo mais fraco e são eles que estão a pagar pelos erros de todos, incluindo os deles.

Quinta-feira, Março 27, 2008

Procura

Se procurares muito uma coisa que exista, provavelmente, mais tarde ou mais cedo, encontrá-la-ás.
Se procurares uma coisa que ainda não existe, provavelmente, mais tarde ou mais cedo, individual ou colectivamente, terás de lutar por ela.

Sexta-feira, Março 21, 2008

O esgoto moral acentua-se.

Acabei de ver pela primeira vez o video em que uma aluna filmada por um colega e coadjuvada pelos risos dos colegas humilhava uma professora. Senti-me humilhado nas entranhas.A senhora ministra pelo que sei não deu ainda a cara. É normal. É uma falha de carácter estrutural. Falta-lhe o mínimo de decência e sentido de Estado. Demonstra a sua total falta de idoneidade para continuar no posto em que está.

Segunda-feira, Março 17, 2008

Estes socialistas estão a levar a Educação para um esgoto moral.

Desde a primeira hora que pressenti que as "reformas" deste governo relativamente aos professores tinham um duplo propósito interligado: controlar os professores e estrangular a progressão na carreira. Economicismo e controleirismo. O controlo foi e está a ser feito lançando medidas variadas de divisão dos professores: titulares; conteúdo funcional distinto; salários diferentes; etc. Isso era um objectivo instrumental pois permitia o economicismo mas tem também um fim em si, fazer dos professores individuos isolados, hierarquizados, fáceis de manipular. O economicismo sendo um objectivo em si, comporta também elementos instrumentais: pagando pouco a muitos e muito a poucos divide os profissionais de uma profissão que ao contrário de outras tem uma essência eminentemente horizontal nos níveis de ensino em que estamos a tratar.
A questão da "nova" gestão está evidentemente ligada a tudo o referido anteriormente: um chefe todo poderoso na escola, apenas só "fragilizado" por uma dependência de poderes e caciques locais. Uma hierarquia rígida de cima para baixo.
Nos últimos dias depois de semanas e semanas de trapalhadas o governo acena aos professores com flexibilizações, autonomias à força, chantagens, bombons de créditos horários e de remunerações acrescidas para alguns.
Na minha escola há indícios, eu direi há sintomas claros que a democracia que existia e que nem sempre era aproveitada está a morrer.
Estes socialistas no governo são uma fraude. E proliferam pela babugem do que há de pior nos seres humanos e nos professores, como não podia deixar de ser: sede de pequenos poderes e de pequenas vinganças sem limitação; incapacidade de construir colectivamente as acções educativas; incompetências que não querem ser questionadas.
Actualmente penso já não se tratar de problemas políticos mas já de um defeito grave de carácter o que está a acontecer. Estes socialistas estão a levar a Educação para um esgoto moral.

Domingo, Março 16, 2008

Entrevista do Mário Nogueira

Mário Nogueira deu uma excelente entrevista onde demonstrou ser conhecedor da realidade das escolas e da situação dos professores. Pareceu deixar o jornalista que o entrevistou (e que tem sido célebre na forma como tem recentemente insultado os professores) sem argumentos e algo convencido da justeza da maioria das posições expressas pelo Mário.
A ler por todos os professores e não só.
http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=281805&idselect=229&idCanal=229&p=200

Terça-feira, Março 11, 2008

Se o ridículo matasse...

Ouvi hoje o secretário de estado Jorge Pedreira dizer, a propósito da proposta do seu camarada António Vitorino de haver um período de experimentação para o processo de avaliação de professores, que "não se deveriam mudar as regras a meio do jogo". Ora todos os professores sabem que essa foi uma das trapalhadas, e não das menores, em que incorreu todo este processo. Pedreira só pode querer enganar quem não conheça as coisas.
Se o ridículo matasse Pedreira tinha sido fulminado.

Domingo, Março 09, 2008

100 000

A maior manifestação de sempre. Foi óptimo.
Espero que os colegas não esmoreçam. É que contra a arrogância e prepotência deste governo é preciso mais do que uma manifestação destas.
Está traçado um plano de luta que me parece bem delineado.
Aos colegas que acordaram agora para a luta espero que tenham gostado e que continuem. É da união continuada que obtemos a força para conseguirmos objectivos justos.
Nós merecemos. As escolas merecem. Os alunos merecem ter escolas e professores respeitados.

Quarta-feira, Março 05, 2008

Trapalhadas e Central de Comunicação

O governo de Pedro Santana Lopes ficou conhecido pelas trapalhadas que fez e pela tentativa de criar uma chamada Central de Comunicação.
Este governo, em especial na área da Educação tem feito imensas trapalhadas e tem montada - não tentou - uma verdadeira Central de Propaganda (é só ver a vergonha do ME instalado nos órgãos de comunicação social esta semana).
Poucos o referem. O estado de graça ou mesmo a macieza dos Media para com este governo ainda continua. Nuns casos por acordo de fundo noutros porque parece que a chamada "televisão digital" obriga, noutros ainda por reconhecimento familiar. Isto dizem outros mais informados. Eu só reproduzo. E concordo.

Terça-feira, Março 04, 2008

Solidariedade

O Paulo Guinote, do excelente blog de Educação e intervenção cívica foi alvo de uma ameaça de acção em tribunal por parte do inefável senhor Albino Almeida. Digo inefável pois não consigo encontrar outro termo para definir o comportamento bajulador e servil para com a actual ministra da educação e todas as suas políticas incluindo o inenarrável estatuto do aluno. Pelos vistos não gostou de ver escarrapachado publicamente o montante que vai directamente do gabinete da ministra para a instituição a que temporariamente preside. Daqui um abraço de solidariedade para o Paulo.
Para o senhor Albino que recentemente afirmou perante as câmaras que os professores deviam parar a contestação para não prejudicarem os alunos eu respondo: os professores protestam também exactamente para não prejudicarem os alunos no terceiro período.
Quanto ao ódio aos professores que o senhor Albino já há anos demonstra na suas palavras públicas (imagino as privadas), eu declaro-me "não culpado". Se este senhor tivesse sido meu aluno não teria com certeza tais recalcamentos. Digo eu que sou optimista por natureza.

Domingo, Fevereiro 10, 2008

Locais de resistência

Com pouca disponibilidade para escrever aqui vou navegando nos Blogs que mantêm viva e lúcida a crítica à política da Educação no momento. Desses saliento: "A educação do meu Umbigo", o "Terrear" e o "Outròólhar".

Domingo, Janeiro 13, 2008

Um hino ao anti-pensamento único

Num tempo de pensamento único em que alguns querem formatar não só a acção mas o pensamento dos outros segundo um pensamento hegemónico e totalitário, sabe bem ler esta "anedota" que encerra lições para o próprio ensino.

Para que serve um barômetro?

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota 'zero'. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma 'conspiração do sistema' contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juíz imparcial, e eu fui o escolhido.
Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: 'Mostrar como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barômetro.' A resposta do estudante foi a seguinte:
'Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício.'
O estudante tinha razão visto que ele tinha respondido bem e completamente à questão. Por outro lado eu não lhe podia dar os seus pontos: neste caso ele iria receber o seu grau de física enquanto não me havia demonstrado os seus conhecimentos de física. Eu propús dar outra chance ao estudante dando-lhe seis minutos para responder à questão advertindo-o que para a resposta ele deveria utilizar os seus conhecimentos em física.
Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida e não tinha tempo a perder. Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.
No momento seguinte ele escreveu esta resposta:
'Vá ao alto do edifício, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula h = (1/2)g.t2 calcule a altura do edifício.'
Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.
Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.
"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro."
Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.
"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo bem como a do edifício. Depois, usando uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício."
"Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas."
"Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença."
"Finalmente", concluiu, "se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se:
'Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.'"
A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa."
"A anedota que você leu foi retirada da página do Prof. Valdemar W.Setzer.
Segundo o professor Alfredo Goldman a versão tem origem francesa e tem como aluno Niels Bohr e como árbitro Rutherford. Mas, há quem diga que esta história se deve a Richard Feynman.

Créditos
F1: http://www.feiradeciencias.com.br/sala19/texto03.asp
Referência
http://www.ime.usp.br/~vwsetzer"

Domingo, Janeiro 06, 2008

Dinâmicas

A questão da última "reforma" do governo, a da gestão, tem vindo a suscitar bastante interesse e movimentação na blogosfera docente. Há muitos professores que se estão a interessar por realizar um debate sobre a questão de forma independente e paralela aos tradicionais meios existentes como são os sindicatos. Em si este interesse e esta dinâmica parecem-me positivos e quebram com uma certa apatia na acção existente nos últimos tempos da parte dos professores.
Há no entanto que não ser ingénuo:
-a discussão pública lançada pelo governo até por ser obrigatória por lei não passa de simulacro de debate. O PS tem a maioria absoluta no parlamento;
-o tempo em que as sucessivas reformas são lançadas tem também como objectivo sepultar as reformas passadas, designadamente a do Estatuto dos professores (que está a fazer um ano a sua publicação) e a recente regulamentação da avaliação do desempenho;
-a estratégia de isolamento dos professores em relação aos outros parceiros sociais continua e com êxito. Esta reforma conta ainda com mais apoio político da ala política à direita do PS do que a reforma do Estatuto dos professores e vai no sentido dum pedido do presidente da República. Quebrar com este isolamento é muito difícil e não é tarefa só para o imediato.
-esta reforma é, digamos, a peça que faltava para controlar melhor o sistema. E a partir daqui as coisas não pararão...
Os colegas que neste momento se estão a envolver em iniciativas, algumas das quais extravasarão a blogosfera, daqui a algum tempo talvez compreendam a dificuldade que os sindicatos estão a sentir para lutar contra este conjunto de reformas.

Quarta-feira, Janeiro 02, 2008

Um outro jornalismo é possível

"«El periodismo se encuentra entre quienes tienen poder y la gente de la calle. Debe servir para controlar a los poderosos y para dar voz a la gente ordinaria. Sin embargo, en este país, el periodismo responde solamente a los intereses de las grandes compañías. Ellas son las que dictan la información que reciben los espectadores. Por eso, un programa como el nuestro, hecho con tan pocos recursos, tiene una repercusión tan grande. La gente quiere saber la verdad, quiere que su opinión sea tomada en cuenta».

En 1991, Amy se encontraba en Timor Oriental tratando de dar voz a las víctimas de la opresión del gobierno indonesio. Junto a su camarógrafo encabeza una manifestación por los derechos humanos. Un grupo de soldados indonesios la golpeó brutalmente y luego terminó con la vida de más de 200 manifestantes. Este incidente sirvió para llamar la atención pública sobre el apoyo que el gobierno de los Estados Unidos estaba brindado a las tropas indonesias."

In Rebelion.org

Em Portugal, ao contrário do exemplo acima mencionado nos EUA, não há nenhum jornal dito de referência, programa de televisão ou de rádio do qual se possa dizer que sirva para controlar os poderosos e dar voz à gente vulgar. É um dos preços que temos de pagar pela pequenez do nosso "mercado".

Terça-feira, Janeiro 01, 2008

Início de ano

Nos últimos dois anos o governo tem marcado a agenda fortemente com "reformas" que há muitos anos vinham sendo apregoadas pelo pensamento neoliberal. Nada melhor que um governo denominado de "socialista" para aplicar estas "reformas". A direita política nunca as tinha conseguido aplicar em pleno com o PS na oposição. Agora apoia-as incomodamente na oposição: o PS "roubou-lhe as políticas" como disse a Manuela Ferreira Leite. Por sua vez a direita social, essa, apoia esfusiantemente estas políticas: que cavalo de tróia melhor poderia haver que um PS como este?
A Educação não foi excepção: os piores cenários montados pela direita política nas últimas décadas (para quem não tem andado distraído) relativamente ao estatuto dos professores, da rede escolar, da organização e gestão das escolas, etc, encontram-se agora em ritmo pleno de execução. Como contrariar politicamente estas "reformas" aplaudidas de fora pela direita social, consentidas por dentro pela direita política incluindo o actual presidente da República e propagandeadas e amplificadas pela direita comunicacional dos média? Muito difícil mesmo.
Os professores, na sua grande maioria, ficaram primeiramente indignados pela campanha negra de difamação a toda uma mesma classe profissional e levada a cabo pelo ministério da Educação. Agora encontram-se, na sua esmagadora maioria, aturdidos, amedrontados, submetidos. Falam contra à boca pequena mas submetem-se e não conseguem muitas vezes traduzir sequer o seu protesto numa greve de um dia. Culpam muitas vezes de toda esta situação quem está mais à mão: os sindicatos que "não fazem nada".
Quem pensar que toda esta situação pode ser revertida facilmente está muito enganado: a força do lado das "reformas" é mesmo muita. Se os professores têm o sentimento de que estas reformas são negativas para o sistema educativo, contra si está a larga percentagem do poder político no governo ou na oposição à direita, a direita social do poder económico e a comunicação social subordinada a estes interesses por não passarem de vozes do dono. Todas as asneiras e foram muitas cometidas por este ministério da Educação ao longo deste tempo e que seriam suficientes para haver levado à sua demissão foram simplesmente almofadadas pelos tais poderes mencionados. A opinião pública tão cuidadosamente manipulada por estes poderes, mesmo assim, tem perdido a confiança na senhora dona Lurdes. As sondagens dão-na muito em baixo. No entanto os altos serviços prestados à nação continuam a ser recompensados.
Quem pensar, dizia eu, que tudo isto pode ser revertido facilmente está muito enganado. É que estas coisas que nos estão a acontecer são, em grande parte, uma vaga de fundo do que se passa internacionalmente. Quem quiser ter uma grelha de leitura das nossas políticas deve colocar os olhos na Inglaterra: são as políticas "socialistas" à inglesa que servem de exemplo ao nosso medíocre Sócrates. É claro que os exemplos vêm também de outros sítios: o tratado de "Lisboa" mas cozinhado previamente em Berlim e servido aos interesses da banca e dos grandes grupos económicos por um mordomo português é disso exemplo recente.
Para já aquilo que podemos fazer é: Resistir, tentar que não avancem ou que emperrem as ditas reformas; Demonstrar as suas malfeitorias para os interesses da Escola Pública Democrática e de Qualidade para Todos; Construir alternativas pois o que existe actualmente também não serve embora seja melhor do que o caminho para onde nos querem levar; Construir unidade entre todos aqueles podem encontrar-se em torno desta alternativa.
Esse é um trabalho de casa que nos cabe fazer individualmente e também colectivamente em torno de organizações que já existem e que os governos estão a tentar dizimar como são os sindicatos de professores. Com esse trabalho de casa feito podemos dar mais passos então para mudar o caminho das políticas educativas.
Esperemos por um 2008 capaz de introduzir algumas destas dinâmicas.
PS. Esta reflexão de início de ano foi inspirada numa dinâmica da blogosfera em torno da "discussão pública" do diploma sobre a gestão das escolas e que está a ser promovida, entre outros no blogue do Paulo Guinote, e que eu saúdo daqui.