sábado, outubro 22, 2011

As balas

Dá o Outono as uvas e o vinho
Dos olivais azeite nos é dado
Dá a cama e a mesa o verde pinho
As balas deram o sangue derramado

Dá a chuva o Inverno criador
Ás sementes dá sulcos o arado
No lar a lenha em chama dá calor
As balas deram o sangue derramado

Dá a Primavera o campo colorido
Glória e coroa do mundo renovado
Aos corações dá o amor renascido
As balas deram o sangue derramado

Dá o Sol as searas pelo Verão
O fermento no trigo amassado
No esbraseado forno cresce o pão
As balas deram o sangue derramado

Dá cada dia ao homem novo alento
De conquistar o bem que lhe é negado
Dá a conquista um puro sentimento
As balas deram o sangue derramado

Do meditar, concluir, ir e fazer
Dá sobre o mundo o homem atirado
À paz de um mundo novo de viver
As balas deram o sangue derramado

Dá a certeza o querer e o construir
O que tanto nos negou o ódio armado
Que a vida construir é destruir
Balas que deram sangue derramado

Essas balas deram o sangue derramado
Só roubo e fome e o sangue derramado
Só ruína e peste e o sangue derramado
Só crime e morte e o sangue derramado.

Depois de ler o poema, ouvir Adriano em:
Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"

3 Comentários:

Blogger IC disse...

Só são de outro tipo estas balas agora, Henrique. Alguém hoje na TV (Eixo do Mal) considerou Vitor Gaspar terrorista, apelidou-o de taliban. Acredito que VG não seja uma pessoa maldosa, mas é um fundamentalista cego e é um pesadelo ter o país entregue a esse governante. Procuro vencer a enorme sensação de cansaço, mas ver que se está a completar uma volta de 360º é de facto inesperado e, no mínimo, atordoador.
Ainda bem que o Adriano... o Zeca... outros... já não podem ver isto. Não o mereceriam.

7:20 da manhã  
Blogger Henrique Santos disse...

Isabel, na verdade o Adriano e o Zeca já viram coisas que indiciavam que isto que está a acontecer iria acontecer. A contra-revolução começou logo em 1975.
Quanto às balas, se for necessário eles usam-nas, como foi o caso do derrube de Allende, presidente democraticamente eleito. E quanto a terroristas, de facto o terrrorismo de estados capitalistas é o que está a dar, com a NATO como chapéu. Vê o que se passa na Líbia e em muitos outros países, em que invadem impunemente e lhes sobra tempo, pois as ditas democracias ocidentais, incluindo a nossa, aplaudem esses actos vis.

3:29 da tarde  
Blogger IC disse...

Henrique, eu sei que a contra-revolução começou logo em 75. Mas acho que o que estamos a ver era pouco pensável: um 1º ministro de uma ideologia maquiavélica (a que o seu partido nunca se atrevera), com um todo-poderoso ministro das finanças de um fundamentalismo fanático. Mas não me alongo pois ainda hoje escreverei no meu cantinho.
Olha: não sei se é intencional, mas talvez tenha sido por não teres reparado: Quando clicamos em Henrique Santos vamos ter ao blogger onde só aparecem os teus outros e recentes blogues, este não está visível pelo que só acede quem o tenha nos favoritos.

3:52 da tarde  

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