terça-feira, outubro 11, 2011

Tão bonzinhos que eles são

Hoje o "directório" europeu resolveu fazer "concessões" aos devedores, Grécia, Portugal e Irlanda. Vai diminuir os juros, estender os prazos, entre outras "benesses" e com efeito retroactivo. A Portugal, dizem eles, vão poupar 5 mil milhões de euros e à Irlanda são mesmo 10 mil milhões.

Isto é o quê? É uma reestruturação da dívida, aquilo que, por exemplo, o PCP e o BE andavam a exigir para Portugal e o governo português dizia que não...

Que ironia. São os nossos "emprestadores" que concedem coisas que "nós" nem pedimos... Por nós entenda-se os nossos "governos" ou "oposições" responsáveis.

Não é preciso ser economista para saber que com a receita da troyca a recessão é certa e que em vez de virmos a ser capazes de pagar o que devemos ainda vamos passar a dever mais e a torná a dívida impagável. É só isso e mais nada que leva os benfeitores da troyca a estas concessões.

E entretanto dos mais de 100 mil milhões que nos emprestam é preciso não esquecer que 12 mil milhões de euros vão direitinhos para os bancos e para estes, ainda do empréstimo, constam também 35 mil milhões de garantias para os mesmos bancos. E é preciso lembrar que grande parte do que pedimos agora serve para pagar aos credores, por exemplo, aos bancos alemães e franceses que sem "resgate" não receberiam.

É preciso também não esquecer o que está para trás, no passado destes últimos 34 anos: houve uma destruição (consentida pelos partidos do centrão mais PP), a mando da europa, da nossa indústria, agricultura e pescas, o que nos tornou hiperdependentes; vieram fundos em troca dessa destruição, muitos dos quais gastos em corrupção, em obras faraónicas, em betão, e que engordaram novos e velhos grupos económicos; houve a privatização forçada das empresas estratégicas e que davam lucro fazendo com que grande parte do PIB produzido actualmente em Portugal saia para o estrangeiro (e agora querem continuar com estas privatizações, pois ainda faltam mais algumas empresas apetecíveis).

E já agora vá-se mais atrás. A grande e arrogante Alemanha de hoje ainda não pagou as dívidas, reparações e indemnizações devidas aos outros países pelas duas guerras mundiais que causou. A reunificação da Alemanha deu-se em 1990 e as indemnizações que estavam prometida para a altura dessa reunificação foram convenientemente esquecidas. E vêm agora falar-nos das nossas dívidas como se eles não tivessem imensos telhados de vidro, eles que foram os reis das dívidas do século XX.

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