sábado, setembro 06, 2008

Leitura fundamental - Jerome Bruner


Jerome Bruner, reputadíssimo psicólogo e homem que desde sempre esteve envolvido com as questões da Educação escreveu páginas que penso inspirarem qualquer educador que goste de caldear as práticas com as teorias da Educação. É preciso não esquecer que ele foi um dos homens mais envolvidos nos contextos da reforma da Educação americana a partir dos anos 60 e que desde aí acompanha o que se passa nesta área.

Nestas férias tive oportunidade de o conhecer melhor. Gostei especialmente da leitura de um dos seus livros mais recentes, penso eu, "A Cultura da Educação" que data de meados dos anos 90.

Desse livro, que recomendo, vou retirar pequenos excertos que provavelmente irei colocando aqui, no meu cantinho. Começo por este que acho bem significativo para começar.

"Não há reforma educativa que avance sem um adulto activa e seriamente participante - um professor empenhado e preparado para dar e partilhar a ajuda, para confortar e construir apoios. A aprendizagem na sua plena complexidade implica a criação e negociação do significado comum numa cultura mais ampla, e o professor é em geral o representante da cultura. Não é possível um plano curricular à prova de professor, como o não é uma família à prova de pais. E uma tarefa importante no contexto de um esforço de reforma - sobretudo do tipo participativo que atrás sublinhávamos - é trazer os professores ao debate e à configuração da mudança. É que eles são os agentes últimos da mudança. Foi um dedicado corpo docente que, ao fim e ao cabo, transmitiu os ideais da Revolução Francesa - ao longo de quase um século de dedicação." pag 118

7 Comentários:

Blogger IC disse...

Henrique
Quando faço um esforço para me despir das opiniões e juízos que fui fazendo da política de MLR para tentar encontrar uma explicação que vá para além de prioridades economicistas (até porque estas explicam muita coisa da acção desta ministra, mas não explicam tudo), uma explicação, dizia, para pretender implementar reformas de fundo sem tentar ganhar os professores e até, ao contrário, contra eles (bem nos lembramos: "perdi os professores, mas ganhei a opinião pública" - e, mesmo assim, continuou a querer avançar), não consigo encontrar inteiramente a explicação para uma atitude que ela não pode deixar de saber que, com ela (com essa atitude), "não há reforma educativa que avance". Discordo absolutamente da sua acção, mas ainda não consegui compreender o que vai na cabeça de MLR.

2:27 da manhã  
Blogger henrique santos disse...

Isabel
eu simplesmente acho, sinceramente, que Maria de Lurdes foi a figura que em Portugal, eficazmente, para mal da nossa Educação, dos alunos e professores, conseguiu imprimir uma "reforma" neoliberal que já se vinha a assistir há duas dácadas e meia nos países capitalistas mais avançados. E nem as formas são muito originais. Também nos EUA e Inglaterra os professores foram demonizados, a gestão foi "musculada", etc.
Isto é o que penso.

10:48 da tarde  
Blogger henrique santos disse...

As razões, lá como cá, são as mesmas. Economicismo, controlo dos profissionais, visão utilitarista da Educação, privatização progressiva. Os meios também se parecem...
Os personagens são mais ou menos eficazes, dependendo evidentemente da conjuntura política e económica. Foi a partir dum contexto de crise económica e fiscal que se fizeram e fazem várias "reformas" cujos alvos têm sido os sectores sociais do Estado.

10:52 da tarde  
Blogger IC disse...

Henrique, eu sei que MLR não foi original. Mas tenho a ideia de que nalguns países já se estava a reconsiderar certos meios (como demonizar os profesores) e a haver certos recuos/reconsiderações sobre erros para os próprios objectivos pretendidos, e que Portugal não quis saber disso. Mas não tenho a certeza do que estou a dizer, pois há um tempo que não me actualizo sobre a evolução desses processos nesses países, mesmo na perspectiva e nos interesses neoliberais. Aliás, quando arranjo um bocadinho de tempo para procurar informação actualizada sobre isso, nao a tenho conseguido/sabido encontrar. Se tiveres alguma dica sobre onde a encontrar na net,actualizada, agradeço-ta.

4:12 da manhã  
Blogger IC disse...

P.S. E neses países há vozes conceituadas e influentes no campo político que contestam, mas eu não sei encontrá-las. Só raramente, ando incompetentemente desactualizada sobre isso.

4:21 da manhã  
Blogger henrique santos disse...

Isabel
um site onde vou frequentemente é o da Aped- http://www.ecoledemocratique.org/
onde encontro, especialmente na voz de Nico Hirtt, análises muito interessantes e onde são feitas comparações internacionais. Ele, nos textos e nos livros e nos textos que já publicou tem tentado desocultar as reais intenções dos políticos neoliberais e de quem está por trás deles a mandar realmente, como por exemplo, na Europa, é o caso da "Mesa dos Grandes Indústriais".
Do ponto de vista pedagógico considero-os também muito interessantes. Nem alinham no extremo dos ditos eduqueses nem muito menos nos elitistas. Elaboraram ao longo destes anos propostas concretas para uma escola diferente. Recentemente fizeram sair um estudo interessantíssimo que se pode descarregar sobre o estado dos conhecimentos dos alunos do secundário relativamente aos saberes críticos (em comparação com os saberes científicos).
Os outros locais onde vou recolhendo dados são sobretudo em livros ou revistas e textos de autores alternativos.

3:22 da tarde  
Blogger IC disse...

Ah! "L'école démocratique" (e Nico Hirtt, sim)! Mas eu tenho o site nos meus favoritos, só que estava absolutamente esquecido, lá metido numa subpasta. Obrigada, Henrique.

9:11 da tarde  

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