sábado, março 10, 2007

Os "Independentes"

Há já algum tempo que anda na moda criticar os políticos e a política. E esta moda, que já vai longa, (já dura há muito mais do que os 6 meses da "moda" vulgar) colhe popularidade no "povo" sofrido pelas políticas e políticos de turno. Vai daí é a política e todos os políticos que apanham pela mesma medida, esquecendo o facto de que o espectro dos "decisores" abrange um leque restrito de políticos: no nosso caso português o denominado Bloco Central, a espaços cooptando o CDS/PP. Esquece-se a crítica, que a alternância democrática que vamos tendo nas últimas décadas é sempre a mesma.
Há muita gente que perante estes factos diz que já não vota ou que não vai votar. Não vê que dessa maneira em nada contribui para mudar a política ou as políticas que contesta.
Há ainda quem afirme um estatuto moral superior por ser independente, no sentido de não estar filiado em partidos. Isto francamente parece-me muito questionável. A superioridade moral ou outra verifica-se pela qualidade dos seus pensamentos, actos, sentimentos e valores e não pela simples pertença ou não pertença a associações partidárias. E até a capacidade crítica ou independência de pensamento não é apanágio dos formalmentes independentes.
Na comunicação social dita de referência tivemos há dias um caso paradigmatico. O jornal "O Público" a pretexto de uma reestruturação onde despediu imensos jornalistas (imagino os critérios de despedimento) mas manteve o director (para dar o exemplo, com certeza), rescindiu os "contratos" de colaboração com todos os opinadores filiados em partidos. Como a maioria dos opinadores que eles têm que não são filiados em partidos não são de facto independentes mas foram escolhidos mediante critérios próprios de quem manda lá no jornal, é de esperar um estreitamento do leque de opiniões políticas e outras do dito jornal. Algumas áreas do espectro político ficam assim, deste modo, ainda mais arredadas da parcela de opinião deste jornal. Nada que me surpreendesse.
Os critérios ditos meramente jornalísticos têm sido em muitos meios de comunicação social utilizados para censurar e limitar a expressão de certas ideias. É que quem gere os tais critérios são tudo menos independentes.

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