sexta-feira, junho 09, 2006

HÁ TEMPOS EM QUE TEMOS DE DEFINIR A NOSSA POSIÇÃO: DIZER SIM OU DIZER NÃO.


GREVE do dia 14 de Junho
5 perguntas e 5 respostas



Porque é que a FENPROF decidiu avançar já com um plano de luta?
Porque o ME, tendo ficado de apresentar uma proposta de revisão do ECD durante o mês de Fevereiro, decidiu fazê-lo em finais de Maio, colocando a FENPROF perante duas opções:

a) lutar quando estivesse quase tudo decidido, no início do próximo ano lectivo - o ME quer concluir o processo negocial até final de Outubro;

b) avançar ainda durante este ano lectivo, criando uma oportunidade para que todos os professores pudessem dar um sinal claro de que consideram esta proposta de estatuto inaceitável e de que exigem um verdadeiro processo de negociação;


O SN da FENPROF, reunido a 1 de Junho, em face da gravidade da proposta apresentada pelo ME, das declarações da ministra da Educação no Fórum da Maia e da prática de negociação desta equipa ministerial, considerou que adiar a resposta dos professores aos sucessivos ataques de que têm sido alvo seria defraudar as suas expectativas em relação aos sindicatos e prejudicar a sua mobilização num processo de revisão do ECD que sabemos que vai ser difícil e se afigura vital para o futuro da profissão docente.

Neste contexto, a FENPROF decidiu propor aos professores e educadores a realização de uma grande jornada de luta a 14 de Junho, que inclui um plenário em Lisboa, seguido de Manifestação para o ME (onde se espera que estejam MUITOS) e uma Greve Nacional (a única forma de luta em que TODOS são chamados a participar).

A ministra da educação já veio dizer que a reacção da FENPROF é exagerada e que há outros sindicatos que não têm a mesma posição, embora já haja um conjunto muito alargado de sindicatos a aderir à greve.

Fazendo ou não greve, cada um de nós estará a dizer à ministra da Educação uma de duas coisas:

- Senhora ministra, tem razão, apesar do que diz a FENPROF, nós estamos tranquilos.

- Senhora ministra, está enganada, a avaliação que a FENPROF faz da situação actual é a que nós fazemos!
Queremos dizer-lhe que esta proposta de revisão do ECD é inaceitável e que estamos determinados a lutar contra ela.

A FENPROF está a fazer o que tem que fazer, informar os professores, reunir com eles, propor um plano de acção e assumir a condução da luta. Cabe agora a todos e a cada um de nós assumir a sua própria responsabilidade neste processo. Os colegas que entenderem não tomar posição estão no seu direito, não podem é vir depois acusar o sindicato de não ter feito nada porque a FENPROF só pode fazer a sua parte.


2. Porquê dia 14?
São necessários 10 dias úteis para meter o pré-aviso de greve. Depois de receber a proposta do ME, o Secretariado Nacional reuniu, de emergência, no dia 1 de Junho e, por isso, a convocação da greve só poderia ser feita para os dias: 13, 14 e 16 ou, na semana seguinte, de 19 a 23.

A 19 iniciam-se os exames nacionais e considerou-se que não havendo ainda uma decisão judicial sobre a questão dos serviços mínimos, não podíamos arriscar a que se repetisse o que aconteceu no ano passado.

As possibilidades eram então 14 e 16, porque 13 é feriado em Lisboa e em mais alguns municípios (14 em 132). Dia 16 era ponte para todo o país e foi excluído para evitar acusações de oportunismo, 14 era o único dia possível e é um dia que nos possibilita realizar uma grande Manifestação Nacional, já que uma Manifestação em Lisboa implica a deslocação de colegas que vão de muito longe (Minho, Trás-os-Montes) que chegam a casa de madrugada e que têm que poder descansar no dia seguinte - por isso é que as Manifestações se realizam habitualmente à 6ª feira.

3. Porquê um dia de greve e não vários?
Porque o processo está a começar, para endurecer a luta é preciso garantir níveis mais elevados de mobilização, porque uma greve é sempre um risco, fortalece-nos quando corre bem mas enfraquece-nos quando corre mal e portanto não basta os professores estarem indignados, é preciso que também estejam dispostos a agir e a lutar.

O SPN e a FENPROF estão conscientes de que teremos que desenvolver outras iniciativas no início do próximo ano lectivo e que este processo vai ser difícil. Não somos ingénuos e sabemos que a anunciada disponibilidade da ministra para negociar não prevê alterações de fundo à sua proposta.

Cabe-nos a nós manter a pressão sobre o ME e exigir que as nossas propostas sejam também tidas em conta num processo sério de negociação, que tem que ser um processo de aproximação de posições e não de imposição de soluções.

4. Porque é que a FENPROF não entregou propostas?
A ministra, na entrevista que deu ao Público, veio afirmar que a FENPROF não quer negociar e nem apresentou propostas.

Ora, o ME entregou a sua proposta no dia 27 de Maio (sábado) e na 2ª feira seguinte uma delegação da FENPROF disse no ME (e está escrito numa nota de imprensa divulgada nesse dia) que a FENPROF considerava a proposta do ME inaceitável mas não inegociável e que portanto apresentaria as sua próprias propostas logo a seguir à reunião do Conselho Nacional da FENPROF prevista para 8 e 9 de Junho e que daria um parecer sobre a proposta do ME depois de ouvir os professores, como é seu hábito, prevendo a sua entrega até final de Junho.

Isto mostra que temos que estar atentos às tentativas de descredibilização da nossa acção e de desmobilização dos professores.

5. Adianta alguma coisa fazer greve? O que é que vamos conseguir?
Esta é uma pergunta de resposta difícil, num tempo em que se confunde maioria absoluta com poder absoluto. Mas uma coisa é certa, o muito ou pouco que viermos a conseguir passa por todos e por cada um de nós e vai depender da resposta que formos capazes de dar na exigência de um Estatuto de Carreira compatível com a importância da função que exercemos e a dignidade a que temos direito. Sabemos que quem luta, pode perder mas quem não luta, perde sempre.

Pelo futuro da nossa profissão, numa escola pública democrática e de qualidade, vamos à luta!
Se vais participar na Manifestação na próxima 4.a Feira, veste roupa preta.

6 Comentários:

Anonymous Daniela Reis disse...

O q é certo é q os profs estão divididos por causa da data. Conheço colegas q ficaram contentes pq finalmente a greve não é numa sexta, e dps desistiram de fazer greve pq a data é colada a um feriado, ou até no meio de 2 feriados!

Façam greve no local de trabalho, vão à manifestação, não faltem na 6a feira... assim os alunos vão dizer aos pais q afinal o professor não foi de férias!

9:08 da tarde  
Blogger Amélia disse...

Ontem, ao ver o frente a frente Ministra/Fenprof, achei que estamos mal servidos com o Paulo Sucena. E quase aperece dizer:com amigos assim, venham os inimigos!
Ele não soube explicar com clareza a razão do descontentamento
que atinge 3 de cada 4 professores,
afinal...Foi pena.
Talvez houvesse na Fenprof ou noutros sindicatos quem soubesse defender-nos melhor...Oxalá a ministra não tenha angariado simpoatias ...pelo menos frente a quem não é professor...Sou aposentada, mas estou solidária com uma classe a que e honro de pertencer.

9:39 da manhã  
Anonymous Daniela Reis disse...

Tb concordo, vi o debate e o sr. Paulo Sucena não foi nada claro, divagou mt... não há ninguém com mais garra p nos defender??

11:24 da manhã  
Blogger henrique santos disse...

Concordo com a Amélia e a Daniela.
O Paulo Sucena e a Fenprof já há tempos que deviam ter tomado uma decisão de mudar o coordenador. O Paulo tem muitas qualidades mas não para esta função.
Espero no entanto que se tomem as decisões certas e aí, as coisas não dependem do Paulo mas dos órgãos da Fenprof e dos professores.

12:31 da tarde  
Blogger Miguel disse...

O motivo que está na origem desta greve é sobretudo, segundo a FENPROF, o teor da comunicação que a Ministra teve numa conferência sobre a Educação na Maia no passado dia 29 de Maio. Ora, tendo que haver 10 dias úteis a anteceder uma greve a mesma poderia ter sido marcada, se a FENPROF assim o quisesse, para o dia 12 de Junho... Mas, mesmo que assim não pudesse ser, as declarações de uma Ministra, por muito infelizes que sejam, não podem ser razão suficiente para a convocação de uma greve.
Já quanto à justificação do conteúdo da proposta do ECD, apenas poderei dizer que a greve não deve constituir uma forma de pressão para o início de uma negociação, mas sim um último recurso depois das negociações não derem o resultado desejado...
Por isso, não farei greve!!!

12:17 da tarde  
Blogger henrique santos disse...

Caro Miguel
fazer ou não greve é decisão sua.
Mas não podemos ser inocentes quanto à boa fé ou sensibilidade da tutela relativamente à opinião dos professores ou quanto às pressões extemporâneas.
O ME fez durante este último ano e meio uma campanha contra a imagem dos professores para preparar o lançamento de algumas medidas que agora vemos. Pautou-se entretanto por lançar outras medidas sem negociação. Se isto não são pressões.
Ainda bem que o Miguel, presumo, não é sindicalista. Daqueles que, pelo menos, mexem alguma coisa.

2:10 da tarde  

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial