sábado, setembro 09, 2006

O túnel afunilado

Devo confessar que estou preocupado.
O regime legal que o ministério da educação pretende concretizar, será um buraco onde os professores e as escolas se irão afundar numa amálgama de hierarquias artificiais, de competição doentia, de diferenças instaladas, de colegialidade embotada ou artificial.
Nada que eu não soubesse possível num mundo em que essas coisas são pão amassado de cada dia, segundo a conveniência de amos tantas vezes invisíveis.
Quem leu com olhos críticos as "propostas" do ministério sabe do que falo. Desses só espero acção consciente, persistente, resistente.
Só que há, perdoem-me os rótulos, os ingénuos, os acólitos, os acomodados, os oportunistas, os que não pensam nem lêem.
Estou preocupado, mas nos próximos tempos, além da profissão mais bonita que existe à face da terra, - a de contribuir para educar pessoas e não bichos, - estarei ocupado na luta contra quem quer destruir uma profissão. Profissão que não pode enveredar pela competição mas tem de ser fundamentalmente cooperativa; profissão cuja missão nobre - educar - deve ser exercida da mesma forma do início à aposentação; profissão cuja avaliação não se deve centrar na competição por lugares mais bem pagos mas por melhorar eticamente a acção educativa sobre seres humanos para contribuir desse modo para um mundo mais humano.
Há quem não saiba, não queira, quem não lhe convenha, quem pactua em que não se saiba estas coisas elementares do que é um professor. Todos esses serão cúmplices num retrocesso ético da nossa profissão.
Por mim esta "proposta" não passará. Serei sempre um professor presente.

4 Comentários:

Blogger Miguel Sousa disse...

Caro Henrique, esta sexta-feira fui ao almoço da escola que marca o ano lectivo, olhei à volta e vi muito pouca gente com ar de preocupado, muito pouca gente reflectindo esta coisa. Parece que entre os cerca de cento e trinta colegas só uma dezena anda a pensar no caso...quando questionei alguns deles sobre o assunto disseram que só tinham tempo para pensar nos alunos e nos planeamentos. Deus queira que estejam a planear muit bem..

3:48 da tarde  
Blogger IC disse...

Não sei se a proposta agora não passará, mas do que estou muito convencida é de que, se não houver luta suficiente para que não passe, passará mas não se aguentará - serão as consequências inerentes a ela (e também a discutível e difícil praticabilidade de certas medidas) que virão a torná-la insustentável.
(Só que, nesse caso, até lá haverá consequências que levarão longo tempo a remediar)

6:10 da tarde  
Blogger Miguel Sousa disse...

nesse caso os hipocritas dos politicos vão dizer que os professores bloquearam...não te iludas

9:16 da manhã  
Blogger IC disse...

Ainda aqui voltei, pois também estou muito preocupada, com vontade de escrever (mas por estes dias não dá, só consigo entrar ao de leve em caixas de comentários).
Volto para sublinhar o que deveria nortear o novo ECD:
"Profissão que não pode enveredar pela competição mas tem de ser fundamentalmente cooperativa; profissão cuja missão nobre - educar - deve ser exercida da mesma forma do início à aposentação; profissão cuja avaliação não se deve centrar na competição por lugares mais bem pagos mas por melhorar eticamente a acção educativa sobre seres humanos para contribuir desse modo para um mundo mais humano."
A proposta do ME podia ser má, mas escusava de contrariar tão totalmente o que disseste e sublinhei! ;(

2:32 da manhã  

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