quinta-feira, maio 04, 2006

"Socorro. somos todos privilegiados"

No dia 29 de Abril, Rui Tavares escreveu no Público uma excelente peça de opinião onde referia: "Um dos aspectos mais proeminentes do discurso político contemporâneo é que as castas dominantes, que não perfazem juntas mais do que um por cento da população, têm por hábito chamar privilegiados à maior parte dos restantes 99 por cento».
De facto referindo-nos à nossa sociedade portuguesa quem são os privilegiados? Que critérios utilizar?
Serão os nossos reformados ou desempregados sem subsídio que fazem biscates informais, perante os 2 mil milhões de famintos do terceiro mundo que vivem com um ou dois dolares por dia?
Serão os desempregados com subsídios "razoáveis" ou os subempregados com salário mínimo ou menos, perante os anteriores?
Serão os grupos tão diversos da classe média, com salários e condições de estabilidade de vida e de trabalho decentes? (Os professores do Quadro estão aqui incluídos e têm sido um alvo recentemente bastante atacado.)
Serão os gestores de topo da função pública ou os seus reformados "milionários", cujo expoente talvez seja o Governador do Banco de Portugal com os seus 25 000 euros de vencimento mensal acrescidos de carro, cartão de crédito...?
Serão os accionistas principais de bancos, os donos de grandes empresas, ou os especuladores cujas fortunas ou rendimentos mensais são quase incomensuráveis?
Quem são afinal os privilegiados?
Os que mais vejo a chamar privilegiados são os dois últimos grupos. Têm como alvo todos aqueles que tenham um emprego estável e com direitos, e daí para cima parando neles, pois eles são uma elite que paira por cima desta discussão. Penso ser necessário muito descaramento para continuar a vir à televisão papaguear tais afirmações. Talvez seja por isso que Vitor Constâncio, que como Governador do BP, ( e que se diz "incomodado" com os vencimentos dos gestores públicos de topo), não tenha vindo, como vinha anualmente, com a "cassete" a apelar à moderação salarial. Deve ter alguma vergonha que não conseguiria disfarçar perante a maioria dos portugueses.

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