domingo, junho 10, 2007

"Primeiro eles vieram..."

"Primeiro eles vieram e passaram os funcionários auxiliares para a tutela das câmaras municipais. Eu, como era professor, não me importei.
Amanhã eles virão, passarão por cima de concursos nacionais e entregarão a tutela dos professores às mesmas câmaras. Aí, eu já fui visado e era demasiado tarde para protestar. Ainda por cima eu não tinha moral para o fazer. Tinha deixado que fizessem o mesmo com os outros funcionários públicos."
Um texto inspirado num poema de Brecht que adaptei aos tempos que correm em Portugal. Hoje surgiu a notícia que dá conta que, a médio prazo os professores passarão para a tutela das câmaras. Quem o disse foi a ministra que está a desmantelar o sistema público do ensino em Portugal.

7 Comentários:

Anonymous IC disse...

Assisto a tudo o que está a acontecer - ao desmantelamento do sistema público de ensino, também à questão dos professores titulares que me parece um descalabro - como um ruir de muita coisa que se construiu (apesar de tudo o que nunca andou bem) pensando que quando os professores acordarem será de facto tarde. Como sabes, Henrique, já não estou na escola, por isso posso estar enganada quanto a pensar que há (houve, desde que isto começou)uma grande passividade, mas é o que me parece, e esta observação de tanta perda faz doer, tanta coisa a parecer ter sido inútil!
:-(

7:12 da tarde  
Blogger Maria Lisboa disse...

Como vi/ouvi por aí: "esta guerra" não é minha!
As pessoas parecem não querer perceber que a "guerra" é de todos!... que somos uma "unidade" a enfraquecer e a descartar!

"Um" a "um" vamos sendo "cilindrados"...

Quando se vai permitindo... permitindo ... permitindo... raramente se consegue não permitir, quando a situação se impõe.

Se nunca estamos "connosco" quando precisamos...
Se nunca estamos com os outros quando eles precisam...
Se nos mantemos divididos, nem sequer tratando "das nossas capelinhas"...
Damos toda a força a quem tem o poder!!!

Como diz a Isabel: dói a perda de tanta coisa conquistada à custa da dor e do sofrimento de tantos... à custa de um sonho que demorou tanto a concretizar...

A passividade deste povo ultrapassa os limites da minha compreensão. Por vezes penso que não teremos vivido no mesmo país...

Os poetas bem dizem... mas não aprendemos (nem à nossa própria custa!):

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.


Eduardo Alves da Costa

6:22 da tarde  
Anonymous Plínio disse...

A comparação com a ditadura militar que inspirou Brecht está correcta. Já ninguém tem dúvidas que, aqui e agora, há uma Ditadura. E será Militar quando os GNR passarem (brevemente) a ser a quarta força armada em Portugal, comandados por um General de 4 estrelas.
Uma rajada mortal na Educação em Liberdade.

7:10 da tarde  
Blogger zoltrix disse...

excelente esta adaptação!
Que bons comentários!!!!

10:47 da tarde  
Blogger Amélia disse...

TANTO QUANTO SEI O POEMA NÃO É DE BRECHT...NEM SEQUER DE MAIAKOVSKI.
VEJA O ESTADO DA QUESTÃO EM
http://www.revista.agulha.nom.br/autoria1.html

Não importa muito: quem quer que o tenha escrito lançou um aviso a todos nós.A tomar cada vez mais em conta.Foi bom que o tenha lembrado e adaptado.

4:31 da tarde  
Blogger José Carrancudo disse...

Infelizmente, esta Ministra sabe tão pouco da Educação como os seus antecessores, e só se preocupa em poupar dinheiro.

O País está em crise educativa generalizada, resultado das políticas governamentais dos últimos 20 anos, que empreenderam experiências pedagógicas malparadas na nossa Escola. Com efeito, 80% dos nossos alunos abandonam a Escola ou recebem notas negativas nos Exames Nacionais de Português e Matemática. Disto, os culpados são os educadores oficiosos que promoveram políticas educativas desastrosas, e não os alunos e professores. Os problemas da Educação não se prendem com os conteúdos programáticos ou com o desempenho dos professores, mas sim com as bases metódicas cientificamente inválidas.

Ora, devemos olhar para o nosso Ensino na sua íntegra, e não apenas para assuntos pontuais, para podermos perceber o que se passa. Os problemas começam logo no ensino primário, e é por ai que devemos começar a reconstruir a nossa Escola. Recomendamos vivamente a nossa análise, que identifica as principais razões da crise educativa e indica o caminho de saída. Em poucas palavras, é necessário fazer duas coisas: repor o método fonético no ensino de leitura e repor os exercícios de desenvolvimento da memória nos currículos de todas as disciplinas escolares. Resolvidos os problemas metódicos, muitos dos outros, com o tempo, desaparecerão. No seu estado corrente, o Ensino apenas reproduz a Ignorância, numa escala alargada.

Devemos todos exigir uma acção urgente e empenhada do Governo, para salvar o pouco que ainda pode ser salvo.

7:27 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

O poema não é de Brecht, foi usado por ele. É de Martin Niemöller (http://en.wikipedia.org/wiki/First_they_came...).

2:46 da manhã  

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